Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 21/05/2020

Na antiga Civilização Mesopotâmica, foi originado o Código de Hamurabi, conjunto de leis escritas que tinha como máxima a Lei de Talião, “olho por olho, dente por dente”, a justiça era feita pelos próprios cidadãos. No que tange ao Brasil, na contemporaneidade, o poder público, teoricamente, é o responsável por solucionar os conflitos criminais. Entretanto, o Estado é omisso, e inúmeros são os crimes que resultam em impunidade. Nesse contexto, uma problemática surge: a mídia passa a incitar a justiça com as próprias mãos, na medida em que propaga a descrença na eficiência das instituições de garantir a segurança da população e o sentimento de injustiça, por expor notícias sensacionalistas, as quais nem sempre são verídicas. Desse modo, faz-se fundamental a discussão sobre a problemática.

Inicialmente, cabe citar que as mídias publicam notícias sobre inúmeros crimes e, por diversas vezes, esses resultam em impunidade. Esse contexto tem por consequência, a descrença da população em relação ao sistema de segurança. Para ilustrar tal problemática, tem-se, apesar de fictícia, a história do personagem “Batman”, que torna-se um justiceiro e busca, por conta própria, vingar-se dos criminosos de maneira violenta. Assim, tendo em visita que, com o intuito de suprir esse déficit de seguridade, surge a ideia da “justiça com as próprias mãos” como, teoricamente, a única solução, fazem-se necessária ações governamentais, tendo como objetivo reduzir o problema.

Outrossim, constantemente são divulgadas publicações sensacionalistas nas mídias digitais, as quais fomentam o sentimento de indignação na população, mesmo nem sempre sendo verídicas. Como exemplo, pode-se citar o ocorrido em Guarujá, em 2014, onde, segundo o Portal G1, uma mulher foi acusada de realizar rituais de bruxaria com crianças, por isso foi linchada e assassinada, entretanto, posteriormente foi revelado que a vítima era inocente. Evidencia-se, então, o possível impacto de uma analise não crítica de tais publicações.

Portanto, devido à gravidade da problemática, medidas fazem-se necessárias. Em primeiro lugar, o Governo deve investir em políticas públicas capazes de solucionar a problemática, por meio da maior destinação de verba e da elaboração de projetos que visem à maior eficiência do sistema judiciário, com o fito de reduzir casos de impunidade, por consequência a população acreditará mais no sistema de segurança, e casos similares ao da ficção e justiçamentos serão reduzidos.Além disso, as escolas e universidades devem promover campanhas educativas, por intermédio de debates, que incentivem um pensamento crítico acerca das notícias -uma vez que nem todas são verídicas-, com a finalidade de reduzir casos como o acontecido em Guarujá e de tornar os indivíduos menos influenciados pelo sensacionalismo das mídias.

da descrença com a eficiência do sistema público de garantir a segurança, e a morosidade dos processos judiciários,

, em decorrência de ter testemunhado o assassinato dos pais enquanto criança, na idade adulta