Como a mídia pode incitar a violência e a justiça com as próprias mãos

Enviada em 15/05/2020

O cotidiano midiático brasileiro tem proporcionado amplas discussões e reflexões sociais e políticas acerca da incitação à violência e à justiça com as  próprias mãos pela imprensa sensacionalista, uma vez que ela se utiliza do direito da liberdade de expressão como uma ferramenta para propagar atos hediondos, com o intuito de aumentar a audiência. Sob esse viés desafiador, é inegável o teor problemático de tal circunstância, afinal é papel do Estado investigar e punir crimes, apesar da negligência observada nesse âmbito. Desse modo, cabe ao Estado e à sociedade civil desenvolverem mecanismos os quais impeçam a perpetuação do cenário deletério atual.

Nessa perspectiva relativa à incitação de atitudes violentas por parte da mídia sensacionalista, observa-se que a principal motivação para esse comportamento errôneo é o desejo por um maior público. A partir de reportagens que exaltam o caráter violento dos crimes, a negligência estatal, a sensação de impunidade e o desejo por retaliação, os jornalistas procuram fomentar nos populares, aqueles que mais sofrem com a ausência do Estado, a necessidade de praticar atos violentos para sanar outras atitudes hediondas, algo completamente retrógrado, tendo em vista a atual existência de um sistema de leis voltados para a punição de crimes. Logo, como afirmou o filósofo francês Jean Paul Sartre, “a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, será sempre uma derrota”, sendo necessária, portanto, com o intuito de pôr fim às derrotas sofridas pela sociedade, atitudes mais expressivas por parte da parcela mais engajada.

Ademais, é válido ressaltar que, de acordo com a Constituição Federal de 1988, no seu artigo 144, a segurança pública é um dever do Estado, entretanto mostra-se evidentemente reduzido o pleno cumprimento dessa prerrogativa legal, principalmente nas regiões mais pobres. Com esse viés, o pleno exercício da cidadania é ferido e, ao invés de cobrar dos cidadãos uma postura mais engajada e voltada para a reivindicação do exercício absoluto das prerrogativas legais, a mídia sensacionalista se aproveita da carência estatal para fomentar ainda mais violência. Assim, percebe-se a importância de um Estado atuante em prol dos brasileiros.

Destarte, tendo em vista o panorama problemático contemporâneo, cabe ao Estado promover medidas mais expressivas, voltadas para a segurança dos brasileiros, principalmente dos mais vulneráveis, por meio de uma reorganização orçamentária que vise a contratação de mais profissionais, com o fito de suprir a ausência de segurança em certas localidades e respeitar a Carta Magna. Outrossim, é interessante que a população mais engajada divulgue informes nas redes sociais, como uma forma protestar contra o abuso de poder da imprensa sensacionalista ao fomentar a violência.