Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 11/11/2021

O filme “O Diabo Veste Prada” retrata a história de uma estagiária que, ao ser contratada por uma conceituada revista de moda, passa a ser subordinada de Miranda - conhecida entre seus funcionários pelo tratamento abusivo que os dá. Fora da ficção, a problemática do assédio moral - ilustrada pela obra cinematográfica - se faz presente nos ambientes de trabalho da sociedade brasileira. Nesse ínterim, esse impasse tem como causas o silenciamento do corpo social a respeito do tema (motivado pelo individualismo) e a normalização de práticas abusivas nos locais de ofício, e merece um olhar mais crítico de enfrentamento.

Em primeira análise, o silenciamento da população sobre a temática do assédio moral pode ser apontado como uma das raízes do problema, posto que contribui para a sua manutenção. Sob esse viés, em “O Homem Cordial”, o sociólogo Sérgio Buarge de Holanda expõe o egoísmo presente na sociedade brasileira - que tende a priorizar interesses individuais em detrimento do bem-estar coletivo, atitude calcada no individualismo. Nesse sentido, a falta de debate do tema se dá devido a tal comportamento, perpetuado entre os tupiniquins, de indiferença em relação a vivência do outro.

Em segundo plano, a normalização de condutas abusivas - de superiores para com seus funcionários, ou entre colegas de ofício - nos ambientes corporativos configura-se como um percalço para o combate ao assédio moral no trabalho. Nesse ínterim, vale citar o conceito de “Banalidade do Mal”, elaborado por Hannah Arendt, que estabeleceu que a alta ocorrência de uma atitude hostil faz com que a sociedade deixe de vê-la como errônea. Sob essa ótica, seguindo o raciocínio da filósofa alemã, é possível entender a razão de tais condutas terem sido tomadas como normais.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Isto posto, urge que as mídias - veículos de grande alcance social - atuem de encontro ao silenciamento da temática, através da disseminação de materiais que tratem sobre a questão do assédio moral, problematizando-o, a fim de promover o debate do tema e romper com a normalização de comportamentos abusivos no ambiente de trabalho. Assim, será possível diminuir a recorrência de “Mirandas” na vida real.