Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 12/11/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em sua obra “Teologia do traste” a ideia de dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, pois, valorizar também a problemática do assédio moral no trabalho. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante destacar o motivo da necessidade de ser combatido e a invisibilidade que o circunda.
É válido salientar, em uma primeira análise, que a exposição do trabalhador a situações humilhantes, desmoralizantes e desestabilizantes são capazes de ocasionar danos permanentes à saúde mental da vítima. Em contraste, o filósofo chinês Confúcio orientou: “escolhe um trabalho que gostes e não terás que trabalhar nem um dia da tua vida”. No entanto, fazer uma escolha acertada como apregoado por Confúcio, não tem se mostrado como um fator que isente sujeitos de passarem por situações de assédio no ambiente de trabalho. Dessa maneira, é inegável que tal violência - assim como as demais - traz impactos sobre o bem-estar e a integridade do indivíduo, necessitando, portanto, ser combatida.
Outrossim, é pertinente pontuar que a invisibilidade dada ao problema se mostra como uma das maiores falhas e impedimentos para a sua resolução. Sob esse prisma, o conceito de “banalidade do mal”, da historiadora Hanna Arendt, afirma que o mal repetido diversas vezes torna-se banal ao olhar da sociedade. De forma análoga, a naturalização de situações cotidianas de assédio moral mostra-se como um fator que, diversas vezes, desvalida a queixa da vítima e fortalece a postura violenta do assediador. Nessa perspectiva, observa-se que este é um grande problema social e sua resolução é, a princípio, concernente aos poderes do Estado.
Logo, é fundamental que o Ministério do Trabalho construa um portal de atendimento aos trabalhadores que se sentiram ameaçados ou passaram por algum constrangimento e, a partir disso, definir medidas punitivas coerentes para os eventos de assédio moral no trabalho. Posto isso, é fundamental que os sindicatos fortaleçam o combate com a conscientização da classe trabalhadora, e também dos empregadores, sobre o que é e como se apresenta essa forma de violência, além de apresentar a quem/onde recorrer para obter o suporte necessário. Dessa forma, o combate poderá ser efetivo e, por fim, alcançar-se-á o anseio do poeta Manoel de Barros.