Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 07/11/2021
No filme americano “O diabo veste Prada”, é retratada a rotina de uma revista de moda em Nova York, a qual possui como chefe uma mulher caracterizada por protagonizar situações humilhantes com seus funcionários, em especial com sua secretária. De maneira análoga à fantasia, no Brasil hodierno, muitos trabalhadores passam por hipóteses como essas em seu dia a dia, repletas de assédio moral no local de trabalho, o qual acarreta consequências tanto financeiras quanto psicológicas nas vítimas. Nesse contexto, faz-se necessário discutir o fato de que a inssuficiência de conhecimento, em conjunto com a falta de punição para os praticantes, contribui para a continuação desse evento.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que a carência de informação acerca da identificação do assédio moral está na base do problema. Sobre isso, o sociólogo Émile Durkheim diz que o indivíduo só pode agir na medida em que conhecer o contexto em que está inserido. Nesse sentido, a fala do pensador pode ser averiguada na realidade brasileira ao analisar que, muitas vezes, o trabalhador não entende que as formas de agressão moral vivenciadas por ele podem ser caracterizadas como condutas abusivas e errôneas. Dessa forma, ao desconhecer o contexto em que se encontra, a vítima sente-se limitada a aceitar tais práticas desmoralizantes, fato esse que impede a devida denúncia e a busca pela solução dessa realidade.
Além disso, pode-se apontar uma escassa punição dos praticantes como um fator determinante na questão do assédio moral no local de trabalho brasileiro. Acerca disso, o filósofo Cícero, residente na Roma Antiga, afirma que “o maior estímulo para cometer faltas é a esperança da impunidade”. Apesar da diferença temporal, a fala do pensador faz-se presente na contemporaneidade brasileira, uma vez que a maioria dos casos de assédio moral, quando reportados, não são reprimidos com a devida seriedade pelas associações responsáveis, um exemplo do Ministério Público Federal. Em vista disso, os hábitos humilhantes e desestabilizadores para os funcionários tendem a permanecer comuns na rotina laboral do país.
Portanto, medidas são necessárias para a minimização dessa problemática. Posto isso, o governo federal deve instruir sua população sobre a dinâmica do assédio moral no trabalho, por meio da distribuição de propagandas - veiculadas nas mídias sociais - que tratem o assunto de maneira pedagógica. Tal medida seria dotada de estimulação à denúncia de ações de caráter desmoralizante no local de trabalho, a fim de permitir a devida punição dos praticantes dessa forma invisibilizada de assédio. Assim, o cenário vivido pela secretária de “O diabo veste Prada” deixaria de ser tão semelhante ao brasileiro.