Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 31/08/2021

A obra cinematográfica “O diabo veste prada” aborda as adversidades vivenciadas pela protagonista Andrea no ambiente de trabalho, onde é alvo de situações humilhantes e desestabilizadoras. A partir da verossimilhança do filme com a conjuntura contemporânea brasileira, é notável a constante presença de atos que acometem a dignidade humana na realidade trabalhista, e seu combate torna-se necessário. Assim, a implementação de práticas preventivas e desenvolvimento de treinamentos e palestras sobre o tema são essenciais.

Sob esse viés, segundo dados do VAGAS.com, cerca de 47,3% dos profissionais já sofreram assédio moral no ambiente laboral. Neste contexto, evidencia-se o grande percentual de trabalhadores que foram expostos a humilhações e constrangimentos, que em sua maioria, são provenientes de preconceito étnico e descredibilidade da qualidade do trabalho. Além de provocar danos ao aspecto psicológico, há também prejuízos à dignidade inerente ao ser humano, garantida pela Constituição Federal de 1988. Desse modo, a implementação de práticas preventivas são de suma importância, pois tal profilaxia irá minimizar drasticamente tais atos, além de torná-los intoleráveis para todos os profissionais no ambiente de trabalho, criando assim, um ambiente de relações saudáveis.

Nesse sentido, ressalta-se a importância da inserção dos novos artigos na CLT(Consolidação das Leis do Trabalho) pela Reforma Trabalhista, que possibilitaram uma melhor delimitação do tema assédio moral. Tal melhora na identificação dos casos em locais laborais permitiu a abertura de debates acerca do assunto, além do aumento das denúncias realizadas pelas vítimas. Assim, ferramentas e mecanismos devem ser criados e institucionalizados nos ambientes trabalhistas com o fim de expandir a intolerância contra tais atos. Logo, a implementação de treinamentos e debates acerca dos reconhecimentos do assédio moral, suas características e suas medidas de denúncia são de extrema significância para a erradicação de tal abuso.

Portanto, é inegável a importância do combate ao assédio moral no trabalho e suas consequências a longo prazo. Dessa forma, o Ministério da Economia, em conjunto com as empresas privadas e públicas, deve criar projetos pautados no estabelecimento de medidas preventivas baseadas na fiscalização diária das ações dos profissionais, através de inspetores designados pelo Estado, evitando assim futuras ações que comprometam um bom relacionamento no ambiente trabalhista. Tais projetos também preveem a organização, por intermédio das empresas privadas e estatais, de seminários, palestras e debates mensais acerca do reconhecimento do assédio moral e formas de denúncia, criando, consequentemente, uma maior harmonia na relações laborais.