Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 29/08/2021

A obra ‘‘Uthopia’’, de Thomas More, retrata uma sociedade isenta de conflitos sociais e econômicos, em que todos os indivíduos são tratados de maneira igualitária e pacífica. Fora do cenário fictício, entretanto, na contemporaneidade brasileira, as relações interpessoais não apresentam tal pacifidade, uma vez que são constantes os casos de intensa pressão e violência verbal no ambiente de trabalho, o que configura o assédio moral. Nesse contexto, cabe analisar os fatores que incluenciam na agressividade no ambiente laboral, tais como a conduta individualista contemporânea e a ausência de pensamento crítico.

Mormente, é indiscutível a influência do egocentrismo vigente na violência entre trabalhadores. Conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, o mal não é presente apenas entre guerras, mas também se revela na incapacidade de compreender o outro. Sob essa análise, depreende-se que a insensibilidade diante do sofrimento alheio potencializa as atitudes agressivas, já que impossibilita o cuidado com o sentimento de quem as sofre. Dessa forma, o comportamento individualista agrava a hostilidade entre funcionários do trabalho, em que estes agem de maneira violenta ao romper com a coletividade. Assim, a ausência de solidariedade nas relações intensifica o assédio moral no trabalho.

Outrossim, torna-se relevante o papel da escassez de criticidade na reprodução da agressões. Segundo a socióloga Hannah Arandet, a violência decorre da banalização do mal, visto que a massificação da sociedade inviabiliza julgamentos e faz com que os indivíduos aceitem ordens sem hesitar. Nesse viés, infere-se que a falta de questionamento diante das atitudes contemporâneas possibilita o comportamento hostil, uma vez que impossibilita análise das consequências individuais e coletivas. Por conseguinte, o comportamento abusivo é reproduzido inconscientemente entre os cargos laborais e torna a sociedade mais suscetível ao assédio moral. Dessarte, a precariedade do pensamento crítico intensifica as violências no aspecto trabalhista.

Portanto, é imprescindível cessar o assédio moral no ambiente de trabalho. Para isso, cabe ao Ministério da Justiça, responsável por assegurar a defesa nacional, junto ao auxílio da mídia, suspender a naturalização de atitudes agressivas, por meio da ampla divulgação de campanhas, a fim de estimular o pensamento crítico para inibir a banalização de comportamentos individualistas e hostis. Assim, a sociedade hordiena será destituída de conflitos entre trabalhadores, consoante à obra ‘‘Uthopia’’.