Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 17/11/2021
O filme brasileiro “Que horas ela volta?” introduz uma temática acerca do trabalho dentro da sociedade brasileira atual, abordando, também, os impactos de um comportamento tóxico nas relações trabalhistas. Fora da ficção, é notório que a obra possui, infelizmente, verossimilhança no que tange a uma questão de altíssima relevância: o combate ao assédio moral no trabalho. Diante desse cenário, é imperativo que o não engajamento estatal e a falta de conhecimentos populacionais no tema são fatores que dão manutenção para a problemática citada.
Nesse contexto, denota-se que o Estado brasileiro tem a função de mitigar as violências morais contra os trabalhadores. conquanto ele não age com essa finalidade. Desse modo, segundo a Constituição Federal de 1988, é dever do âmbito governamental promover as condições básicas para a segurança física e mental dos trabalhadores brasileiros, porém, fora desse pressuposto legal, não é assim que ocorre. Sob essa ótica, como ressaltado por uma pesquisa do Tribunal Regional do Trabalho, mais de 20% dos trabalhadores do país afirmam já terem sofrido algum tipo de assédio moral no trabalho, como humilhações, ataques verbais ou ofensas que descredibilizem seu esforço por algum superior, o qual, por meio do poder hierárquico, não liga para a psique do empregado. Em suma, analisa-se que o governo promete algo que não consegue cumprir na integra, trazendo, logo, danos aos trabalhadores.
Ademais, é importante perceber que, se a população soubesse de seus direitos, não seria possível a perpetuação desse problema. Nessa lógica, Karl Marx, ao criar a Teoria Reformista, afirmou que o progresso de uma nação só será possível caso, em todas as áreas do conhecimento, houvesse o letramento e a educação do povo. Outrossim, fica claro que essa tese do filósofo se assemelha à atual necessidade brasileira, haja vista que o conhecimento de um indivíduo quanto seus direitos e deveres combateria, mormente, as violências e humilhações sofridas dentro do ambiente de trabalho, pois, dessa maneira, os funcionários teriam menos medo de confrontar o uso incorreto da hierarquia. Em síntese, instruir e informar a população é, sem dúvidas, uma necessidade no Brasil.
Destarte, em vista dos fatos supracitados, é notória a necessidade de intervenção. Logo, a fim combater o assédio moral no Brasil, urge ao Ministério da Educação e da Cultura promover programas sociais que objetivem a instrução populacional acerca dos direitos inerentes a todos os cidadãos brasileiros, por meio de propagandas em veículos de comunicação em massa. Isso pode ocorrer, por exemplo, com o auxílio de profissionais competentes no ramo do direito, os quais criariam melhores conteúdos instrutivos frente às violências morais. Por fim, espera-se não apenas a mitigação do problema, como também que casos iguais aos de “Que horas ela volta?” deixem de ocorrer no país.