Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 13/11/2021

No livro “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, escrito pela autora J. K. Rowling, a diretora da escola de magia, Hogwarts, humilha uma professora em frente de todos os alunos e professores. A obra evidencia um caso assédio moral no ambiente de trabalho. Dessa forma, de maneira análoga à ficção, a perseguição e o abuso no meio laboral são frequentemente observados na sociedade brasileira atual. Isso ocorre em razão de uma cultura organizacional autoritária que implica em desordem psíquica nos colaboradores.

Nesse sentido, de acordo com o filosofo sul-coreano Byung-chul Han, a contemporaneidade é marcada pela sociedade do desempenho, na qual a produtividade e as metas a serem alcançadas são o Norte dos indivíduos. Sob tal ótica, na busca pelo cumprimento de objetivos no meio laboral, o gestor assume uma postura rígida, exigindo efetividade muitas vezes de forma abusiva. Assim, o líder pode tomar decisões sem consultar ou considerar sugestões dos profissionais envolvidos, agir de forma agressiva – gritando, humilhando ou falando de forma desrespeitosa – com os trabalhadores ou determinar prazos incompatíveis para a finalização de uma tarefa. Desse modo, o ambiente de trabalho permeia-se de medo frente às condutas violentas do chefe.

Por conseguinte, esse espaço nefasto compromete a saúde mental dos trabalhadores. À vista disso artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, prevê a igualdade de direitos, dignidade e a relação de fraternidade entre os cidadãos. Porém, o assédio moral rompe com esse princípio ao observar que a perseguição impede uma relação saudável no ambiente de trabalho, já que as atitudes abusivas do gestor causam ansiedade, depressão e síndrome de burnout. Logo, a integridade psicológica dos colaboradores e o sentimento de irmandade na organização são violadas.         Portanto, com o objetivo de fomentar um ambiente saudável nas organizações, é necessário que as empresas - públicas e privadas - realizem reuniões mensais, por meio de mesa redonda, que instituam um código de ética e a participação dos colaboradores nas decisões da corporação. Paralelo a isso, cabe às instituições econômicas contratar psicólogos organizacionais – que estudam o comportamento humano no meio corporativo -, mediante seletivos, para monitorar e integrar o meio laboral, a fim de promover o bem-estar dos funcionários. Destarte, atitudes como a da diretora de Hogwarts não serão vistas na esfera econômica brasileira.