Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 05/09/2021

De modo ficcional, o filme “O Diabo Veste Prada” retrata o impacto negativo do assédio moral no ambiente laboral, visto que a empresa possuia uma prática organizacional agressiva com os subalternos e Andy, a protogonista, passa a ser submetida a constrangimentos e rejeição por parte dos colegas. A problemática, no entanto, não está restrita as telas do cinema, tais práticas abusivas afligem milhares de empregados diariamente. Desse modo, é importante entender como o modelo econômico atual retroalimenta o assédio moral e os efeitos dessas condutas na saúde dos trabalhadores.

Após a revolução industrial, o trabalho passou ser visto como fonte de riqueza para os donos do meio de produção e sobrevivência para quem possuía apenas sua força de trabalho. Essa dinâmica empregatícia, motivada pelo lucro e com hierarquização de funções alimenta a natureza autoritária dos ambientes de serviço, além disso, a consolidação do capitalismo sustenta a ideia de que todo trabalhador seja substituível devido o saturamento de mercado o que favorece situações em que o funcionário é vítima de pressão excessiva, abuso de poder e muitas vezes tolera o frequente assédio moral pela necessidade de manter seu emprego. Por isso, é possível perceber que a liquidez das relações modernas, debatida por Bauman, afeta também os vínculos trabalhistas o que gera um laxismo organizacional de empresas que não consideram o fator humano e menos ainda a dimensão psicológica das relações de trabalho.

Ademais, vale postular o impacto pessoal do assédio moral. A invasão sistemática dos direitos, conduz a exclusão no mercado de trabalho, pois torna a vítima incapaz, muitas vezes, de encontrar um novo emprego devido ao processo de desgastes emocionais sofrido em seu trabalho anterior. Conquanto a dignidade seja um direito assegurado pela Carta Magna, não há ferramentas jurídicas especificas para garantir a prevenção e a punição do assédio moral. Em decorrência desse agravante, muitas vezes o funcionário se sente desamparado e desencorajado a denunciar o assediador.

Por fim, diante dos desafios supramencionados, é necessária a ação conjunta do Estado e da iniciativa privada para mitigá-los. Nesse âmbito, cabe ao Ministério Público, em parceria com a mídia nacional, desenvolver campanhas de alerta — através de cartilhas virtuais a serem veiculadas nas mídias sociais — de modo a orientar a população e as empresas em como identificar e denunciar o assédio moral. No que lhe concerne, as empresas e outros polos empregatícios devem investir em especializações e plano de carreira para todos seus empregados, através de cursos rápidos e imersões durante a jornada de trabalho, visando valorizar a sua equipe e desconstruir gradualmente a liquidez no mercado de trabalho.