Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 14/07/2021

Nota-se no mercado de trabalho atual diversos casos de assédio moral, realidade que urge combate. Nesse sentido, Pierre Bourdieu, sociólogo francês, definiu a “violência simbólica”, caracterizada por atos violentos que perpetuam a hegemonia e, apesar da ausência de contato físico, resultam em danos morais e psicológicos. Dessa forma, conclui-se que o assédio moral no trabalho, marcado pela desmoralização de colegas, é uma manifestação da violência simbólica. Por conseguinte, para combater tal problema é necessário analisar e enfrentar as causas da problemática: o machismo e o excesso de competitividade.

Sob esse viés, é fundamental debater o patriarcado, que rege o comportamento de muitas sociedades. Isto posto, apenas a partir de meados da década de 1960, com o desenvolvimento do Movimento Feminista, a mulher começou a conquistar seu espaço da sociedade e no mercado trabalhista. Todavia, o feminismo ainda não conseguiu por um fim no sistema patriarcal, pois ele está enraizado na sociedade, sendo um problema estrutural. Em verdade, essa é uma realidade, pois as mulheres são vistas como apenas um corpo, tendo seus potenciais intelectuais ignorados. Dessa maneira, os homens se acham superiores e assim desrespeitam e humilham as mulheres no espaço de trabalho. Logo, percebe-se que para combater o assédio é necessário combater a cultura machista.

Ademais, é relevante discutir o excesso de competição no mercado trabalhista. Nesse tocante, na novela “A vida da gente”, produzida pela Rede Globo, Cris, uma personagem coadjuvante, demitiu, de forma desrespeitosa, a cuidadora de seu filho, pois se sentia ameaçada pela relação da babá com o menino. De maneira análoga, tal situação, na qual há o desrespeito motivado pelo medo de perder sua posição ou de não ser reconhecido, está presente fora da ficção e afeta muitas carreiras profissionais. Deveras, a insegurança e a ambição, que motivaram a personagem, levam indivíduos a agredir verbalmente os outros, como forma de reafirmar seu poder e capacidade. Portanto, por meio do assédio moral, o ambiente de trabalho torna-se desagradável e hostil.

Nessa conjuntura, constata-se que comportamentos machistas e a rivalidade resultam em assédios morais no núcleo trabalhista. Em suma, é necessário que o Ministério da Mulher amplie a divulgação sobre existência das delegacias da mulher em todos os munícipios. Outrossim, isso deve ocorrer por meio da circulação de campanhas nos diversos meios de comunicação. Assim, as mulheres saberão onde recorrer em casos de assédio. Em segunda instância, as Secretárias de Trabalho devem fiscalizar o segmento de recursos humanos das empresas, por meio de visitas mensais, com intuito de analisar os casos de assédio. Assim, os desdobramentos da competição excessiva receberão o zelo necessário.