Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 09/07/2021

No filme “O diabo veste prada”, é retratada a história de Andy Sachs, na qual tinha o sonho de ser jornalista de uma grande empresa, o que, tornou-se um pesadelo ao ser contratada como auxiliar de Miranda. Andy, começou a sofrer humilhações, partindo de sua chefe, na frente da equipe em que trabalhava apenas por não se encaixar no padrão da moda vigente. Analogamente, cenas como essa de assédio moral são corriqueiras na sociedade, em que a superioridade passa a frente da humildade e da cordialidade. Com efeito, torna-se fundamental avaliar a predisposição de mulheres a sofrerem esses abusos e as consequências à saúde mental desencadeadas.

A princípio, fica evidente a cultura patriarcal enraizada nas empresas. Nesse sentido, segundo o site Gife, 76% das mulheres já sofreram algum tipo de assédio moral em seus locais de trabalho, o que evidencia a suscetibilidade dessa parcela da sociedade. Esses hábitos, infelizmente, já estão pregados na população desde a antiguidade, fazendo com que ambientes que, na prática, deveriam ser de ascensão, tornam-se locais de repressões, discussões e subordinações, por serem de um sexo “vulneravel” - como dita a sociedade. Assim, enquanto os laços dessa cultura patriarcal não forem quebrados, inúmeras mulheres continuarão sofrendo desestímulos em seus trabalhos.

Em virtude disso, nota-se um impacto na saúde mental de quem sofre os abusos morais. A pressão exercida pelos chefes torna-se tão grande e, em alguns casos, a demanda de trabalho se eleva de maneira exponencial que tem-se como consequência o desenvolvimento da Síndrome de Burnout - distúrbio psíquico causado pela exaustão emocional extrema. Nesse viés, inúmeras pessoas se enfraquecem emocionalmente, tendo uma queda no desempenho do labor e se transformam em mais um motivo para comentários. Logo, enquanto não se der a atenção devida à síndrome e a real causa dela, indivíduos irão continuar adoecendo e, em casos mais graves, entrando em depressões severas, perdendo a vontade de realizar qualquer coisa.

Entende-se, portanto, que é necessário combater essas marcas deixadas por pessoas de superioridade elevada. Para isso, o SUS - no exercício de seu papel social -, deve expandir seus atendimentos psicológicos, dando prioridade às vítimas desses abusos, por meio de consultas e grupos de apoio, oferecendo auxílio, tratamento e escuta ativa. Essa iniciativa poderia se chamar “Eu te acolho”, com a finalidade de prestar solidariedade e diminuir os casos de Burnout. Além disso, quando os psicólogos identificarem casos mais graves de abuso de poder dos chefes, eles deverão encaminhar o caso ao Ministério do trabalho, para que, esses, investiguem e fiscalizem da melhor maneira. Espera-se, com essa ação, um desfecho melhor que o de Andy Sachs.