Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 11/07/2021

O filme “O Diabo Veste Prada” narra a história de Andy Sachs, que sonha em ser jornalista em uma grande empresa. Na obra, a mocinha vê seu sonho tornar-se um pesadelo ao ser contratada por Miranda Priestly, que á todo momento faz questão de humilhar a nova funcionária perante o resto da equipe. De maneira análoga ao longa, a questão do assédio moral no mercado de trabalho, no Brasil, ainda enfrenta problemas no que diz respeito ao seu combate. Assim, é lícito afirmar que a postura do Estado e por parte do setor empresarial em relação ao conceito de soberania entre classes trabalhadoras, contribuem para a perpetuação desse cenário nocivo.

Mormente, nota-se por parte do Estado a precariedade de políticas públicas efetivas para garantir os direitos do trabalhador. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo que o Ministério do Trabalho exerce para romper o preconceito de soberania vigente entre patrões e empregados. Instituído para garantir a estabilidade nas relações entre patrões e empregados, tal órgão ignora ações que poderiam fomentar o bem estar coletivo no ambiente de trabalho, como por meio de novas diretrizes trabalhistas. Desse modo, o Governo atua como perpetuador do processo de discriminação hierarquizada no local de trabalho. Logo é fundamental uma reviravolta nesse quadro.

Outrossim, é imperativo pontuar que diversas empresas colaboram para a popularização do assédio moral no local de trabalho. Isso decorre, principalmente da visão elitista presente em parte dos trabalhadores priveligiados do setor empresarial, que tendo em vista sua suposta “superioridade” sentem-se no direito de humilhar um subordinado e em detrimento, surge o impacto psicológico de tais mals tratos nos empregados. Nesse sentido, há, de fato, uma visão aristocrática advinda dos empregadores das empresas, que em muitas vezes ignoram ou colaboram com tais comportamentos opressores de alguns de seus funcionarios para com os outros. Consequentemente, o ambiente de trabalho torna-se um local socialmente opressor.

Posto isso, o Estado deve por meio de debates com responsáveis por grandes organizações e trabalhadores comuns, lançar um Plano Nacional de Segurança e Bem Estar no Local de Trabalho, visando a desvinculação do assédio moral em tais ambientes. Tal plano deverá focar em medidas para a asseguração da saúde mental dos empregados e empregadores. Ademais, as empresas devem, mediante as normas do novo Plano Nacional, promover a igualdade em suas fundações, promulgando reprimenda a aqules que se operem a tais códigos de conduta. Dessa maneira, a situação retratada em “O Diabo Veste Prada” estará cada vez mais longe da realidade dos trabalhadores brasileiros.