Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 06/07/2021

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os indivíduos são iguais em dignidade e em direitos. Contudo, muitas pessoas na sociedade brasileira ainda sofrem com a desmoralização nos locais de trabalho, o que demarca o quão acentuado é o assédio moral na comunidade contemporânea. Tal infelicidade é desencadeada por vários fatores, dentre eles, vale ressaltar: o individualismo cada vez mais perceptível nas relações trabalhistas e a discriminação racial muitas vezes presente nessas interações.

Em primeira instância, cabe analisar como o egocentrismo pode impactar de forma negativa os ambientes profissionais. De acordo com Tomás de Aquino, prestigiado filósofo italiano, a partir que o ser humano pensa demais em si mesmo e em seu próprio benefício, acaba, eventualmente, por prejudicar terceiros. Da mesma forma, a presença do narcisismo exacerbado de algumas pessoas, seja por prestígio ou ganância, traz, em consonância com o ideal do pensador itálico, a prejudicação de outros trabalhadores, os quais, muitas vezes, por não ter a quem recorrer, aceitam os diferentes tipos de insulto e repressão sofridos.

Em segundo lugar, vale abordar a humilhação no meio laboral causada pelo racismo. Segundo Marthin Luther King, notório ativista estadunidense que lutou pela igualdade, liberdade e a causa negra, o segregacionismo racial está presente em todos os lugares. Analogamente ao pensamento do líder norte-americano, a forte participação da discriminação racista em locais ocupacionais eleva, sobretudo, atos abusivos e imorais por parte de seres humanos preconceituosos que, conforme Cláudio Vincentino, relevante historiador do Brasil, são guiados por uma visão eurocêntrica do mundo. Tais fatos, sejam eles de origem histórica ou não, oprimem ainda mais as pessoas que já são alvos de estigma no trabalho.

Depreende-se, portanto, em vista da problemática debatida, a necessidade do Governo, por meio de uma parceria com instituições privadas, formar um código de ética que regulamente o comportamento dos trabalhadores, a fim de que os indivíduos que pratiquem qualquer tipo de ação opressora, especialmente ligadas à práticas racistas, sejam destituidos de seu cargo. Ademais, cabe às ONGs de caráter social criarem propagandas de conscientização da população quanto aos diferentes tipos de insulto e violência, com o intuito de que documentos como a Declaração Universal dos Direitos Humanos sirvam como exemplo comportamental para todos os cidadãos.