Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 07/07/2021

A música “Construção”, do cantor brasileiro Chico Buarque, alude ao contexto vivenciado por um trabalhador que, dependente de seu emprego, vive condições degradantes que ocasionam a sua morte. Dessarte, assim como na canção, em que o sujeito é submetido a um desgaste físico e emocional, muitos brasileiros são assediados moralmente no trabalho. Diante disso, é imprescindível analisar a dependência do trabalhador pelo emprego, bem como a imposição de objetivos inalcançáveis por parte do superintendente, com o intuito de elaborar meios que, de fato, solucionem essa problemática.

Com efeito, percebe-se que a repressão ao funcionário reflete marcas de uma relação de poder por parte do dirigente. Isso ocorre em razão tanto do pensamento que o chefe possui quanto ao seu papel como supervisor - de forma que muitos deturpam as funções de auxiliar e instruir para formas autoritárias de tratamento, que desqualificam o empregado -,  como de uma percepção da dependência do trabalhador no tocante ao serviço, o que faz com que esse seja subordinado a diversas formas de violência - principalmente mentais. Nesse viés, partindo do longa-metragem “Tempos Modernos”, do cineasta Charlie Chaplin, o qual demonstra o contexto vivenciado por Carlitos que, além de ser submetido a um tratamento impetuoso por parte de seu patrão, necessita de seu emprego para a subsistência - em uma sociedade mecanizada e que não valoriza outras formas de trabalho -, observa-se que o assédio moral no ofício decorre de uma conjuntura que coage o trabalhador necessitado.

Outrossim, o assédio moral em ambiente empregatício é motivado por uma cultura permeada pela necessidade de um rendimento excessivo, uma vez que os supervisores, majoritariamente, impõem metas - por vezes, inalcançáveis - aos funcionários, baseados em um ideal de produtividade. Essa questão se dá pelo fato de existir uma postura imediatista em relação ao desempenho do funcionário que, caso não atenda as demandas exigidas por seu dirigente, acaba por ser julgado como incapaz, por exemplo. Desse modo, ao tomar como base o livro “Sociedade do Cansaço”, do escritor Byung Chul Han, o qual evidencia que o século XXI é baseado em um viés de alto desempenho, percebe-se que a imposição da eficácia para o trabalhador se reverbera na falta de empatia por parte do superintendente.

Portanto, para resolver o impasse, compete à Secretaria dos Direitos Humanos elaborar um projeto de simpósios, disseminados por meio da mídia de amplo alcance, como internet e imprensa socialmente engajada, e redigidos por profissionais especializados em Direito do Trabalho. Tal ação tem como finalidade sensibilizar os dirigentes acerca dos danos causados aos funcionários, bem como exortar acerca dos limites entre a supervisão e a cobrança - que, por vezes, se transforma em assédio. Assim, almeja-se que o contexto retratado na canção não seja parte do cenário brasileiro.