Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 29/06/2021
Ao ler a obra “o mal-estar da pós-modernidade”, do sociólogo Zygmunt Bauman, foi possível compreender que a sociedade contemporânea se desviou do projeto de comunidade como defensora ao bem-estar e passou a vivenciar a irracionalidade e a cegueira moral. Ao considerar essa elaboração sociológica, como ponto de partida para tecer argumentos sobre o combate ao assédio moral no trabalho, é possível observar que essa atitude envolve um conjunto de ações abusivas que afetam a dignidade psíco-emocional do indivíduo. Nesse sentido, faz-se necessário entender o por que tal comportamento ainda é comum no ambiente de trabalho, assim como analisar os efeitos desse processo no corpo social.
Primeiramente, é fato que o poder hierárquico é utilizado de forma indevida, de maneira que expõe os funcionários à situações desmoralizantes e humilhantes por meio de tarefas pouco esclarecidas e com pouco prazo. Inclusive, esse processo pode ser encarado como uma ação irracional, confirmando a percepção de Bauman, visto que esse quadro retrata a falta de empatia do ser humano, evidenciando a irracionalidade moral. Nessa perspectiva, pode-se afirmar que essas ações ferem o que é proposto pelo Art 5 da Constituição, porque deixam de garantir os direitos básicos dos cidadãos. Dessa forma, constata-se que é preciso tomar rumos adequados para a desconstrução desse cenário.
Ainda nessa linha de raciocínio, pode-se afirmar que esse comportamento abusivo e desestabilizador é capaz de ocasionar danos permanentes à saúde mental da vítima, visto que a pressão psicológica desmoraliza o indivíduo em seu espaço laboral. Nesse sentido, pode-se afirmar que, quando os atores sociais, como advoga o dramaturgo alemão, Bertolt Brecht, são instruídos pela realidade é que podemos mudá-la. Nessa lógica, é preciso encarar a realidade como um espaço de relações humanas múltiplas, de modo que, em relação a esse tipo de manipulação de poder, seja possível entender que precisamos desenolver cidadania nas relações de trabalho, em virtude de reverter esse cenário de abuso psicológico. Dessa forma, fica claro que as empresas devem se sensibilizar diante a esse quadro.
Por efeito dos fatos supracitados, constata-se que o cenário acerca do assédio moral no trabalho deve ser transformado. Dessa forma, é imprescindível que o Ministério do Trabalho estabeleça como meta a implementação de políticas públicas, a partir de ações como a inserção de psicólogos nas empresas, visando a descontrução do abuso de poder nas relações trabalhistas. Ademais, cabe ao Estado promover ações que possam impulsionar a cidadania, por meio de iniciativas como ações ativistas vinculadas a movimentos sociais, a fim de proteger os indivíduos mais vulneráveis que são afetados. Com essas iniciativas, espera-se que a irracionalidade moral, proposta por Bauman, seja desconstruída.