Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 29/06/2021
Para o sociólogo Edgar Morin, “é preciso ensinar a compreensão humana”. Dito de outra forma, pode-se afirmar que os humanos são tratados como objetos, como algo a ser descartado. Ao considerar esse olhar sociológico como ponto de partida, para discutir sobre o assédio moral no trabalho, compreende-se que o abusador não está preocupado com o bem-estar do funcionário e, é capaz de manipulá-lo até conseguir o que quer. Assim, cabe analisar como o poder hierárquico agrava esse cenário, bem como esclarecer de que modo esse processo impacta no comportamento pessoal e nas relações sociais.
A partir dessa proposição, é preciso esclarecer que o assédio moral é um comportamento repetitivo e abusivo, que influencia de maneira negativa contra a dignidade psíquico-emocional do indivíduo. Além disso, não se pode negar que os abusadores usufruem do poder hierárquico que possuem nas empresas, de forma que são capazes de usarem pessoas em prol de si mesmo. Sob essa ótica, a exposição incessante dos trabalhadores, à situações humilhantes e desmoralizantes, podem acarretar danos permanentes à saúde mental da vítima. Dessa forma, é evidente que esse cenário é um problema, visto que, pode tornar-se tão desconfortável ao ponto de o trabalhador se sentir forçado a pedir demissão.
Nessa discussão, outro ponto relevante se relaciona ao fato de como essas condições impostas afetam na vida da vítima e em sua convivência no local de trabalho, em razão de que, situações constrangedoras e a sobrecarga deliberada de trabalho, podem afetar diretamente na saúde de quem as sofre. Aliás, não se pode esquecer de que, por medo de perder o emprego, muitas pessoas aceitam passar por essas conjunturas, já que, na maioria dos casos, são ameaçadas e subordinadas pelos seus superiores. Com efeito, esse quadro vai de encontro à ideia de “imperativo moral”, elaborada pelo filósofo Immanuel Kant, de que o homem deve se comportar de modo que suas ações, ao serem replicadas por todo ser racional, resultem no bem-estar geral. Isso porque, ao lançar olhar sobre a realidade, verifica-se justamente oposto do imperativo kantiano, pois a falsa sensação de poder leva os abusadores a agirem constantemente, atacando quem eles consideram como indefeso. Assim, fica claro que medidas precisam ser tomadas, afinal, o respeito é fundamental nos ambientes de trabalho.
Dado exposto, é notório que esse cenário requer mudanças. A priori, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública promover ações de prevenção ao assédio moral no trabalho, por meio de mecanismos eficientes para que as vítimas denunciem os abusadores sem correr o risco de serem expostas, objetivando minimizar essa conduta perversa e proteger a imagem dos funcionários que sofrem com isso. Implementadas essas ações, espera-se transformar a problemática em questão.