Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 29/06/2021
O habitus, termo criado pelo sociólogo Pierre Bourdieu, constitui a nossa maneira de perceber, julgar e valorizar o mundo, e é composto: pelo ethos, os valores em estado prático, não-consciente, que regem a moral cotidiana; pelo héxis, os princípios interiorizados pelo corpo: posturas, expressões corporais, uma aptidão corporal que não é dada pela natureza, mas adquirida; e pelo eidos, um modo de pensar específico, apreensão intelectual da realidade. Esse argumento sociológico possibilita refletir sobre o assédio no trabalho e compreender que a falta de respeito e educação com as mulheres, uma vez que os homens não saberem quais os sinais e o sentimento de ser assediados. Nesse sentido, é fundamental questionar por que a comunidade ainda tem costumes machistas, bem como analisar de que modo esse processo impacta no comportamento pessoal e nas relações sociais.
Em virtude desse questionamento inicial, é preciso esclarecer que a educação e o respeito são necessários a todos no ambiente trabalhista, pois na adolescência é o tempo em que todos se desenvolvem para a fase adulta. Inclusive, essa questão está relacionada ao fato de que todas as ações vivenciadas nesse período serão feitas na próxima fase, visto que esses jovens pensarão que isso é normal para a sociedade, mas é ao contrário. Nesse contexto, percebe-se que, como argumenta Bourdieu, a composição do habitus colabora para a compreensão de que essa ação deve ser quebrada, de modo que os futuros brasileiros descubram, se unam e lutem contra essa violência.
Nessa discussão, outro ponto relevante é os comportamentos machistas na sociedade, em razão de ser uma cultura arcaica em um mundo contemporâneo. Aliás, não se pode esquecer de que isso é um dos fatores para essa prática existir, já que foi implementado na colonização portuguesa. Nessa lógica, compreende-se que, como alerta o pensador polonês Zygmunt Bauman, os atores sociais contemporâneos tendem a agir de forma insensata, a saber, sem se preocupar com o organismo social, de maneira que que os homens não sabem o sentimentos das vítimas. Assim, fica claro que isso deve ser extinto, afinal, estamos em tempo em que nenhuma mulher tolera mais.
Diante dessa realidade, constata-se que o assédio no trabalho precisa acabar. Portanto, é determinante que o Ministério da Educação estabeleça como meta aulas de diversificadas nas escolas, promovendo ações que envolvam o ambiente de trabalho como fora dela, a fim de possibilitar atitudes que desenvolvam a todos para que aprendam a reação da vítima e do agressor e as características de ambos. Com essa ação envolvida, pode-se acrescentar nele o entendimento dos fatores históricos para termos esse tipo de comportamento, com o propósito de diminuir os atos machistas no país. Com essa iniciativa, espera-se que o assédio trabalhista e fora dele seja um problema a menos na sociedade.