Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 29/06/2021

Em sua obra “O Mal-estar da Pós-Modernidade”, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman atesta que a sociedade contemporânea se desviou do projeto de comunidade como defensora do direito universal do bem-estar e passou a vivenciar a irracionalidade. Esse argumento sociológico possibilita refletir sobre o assédio moral no ambiente laboral. Nesse sentido, é fundamental questionar por que a relação de poder e hierarquia influenciam nessa problemática, bem como analisar de que modo esse processo impacta no comportamento pessoal e nas relações sociais.

Em primeiro plano, é necessário pontuar que o assédio moral laboral se trata de ações de exclusão e abuso de funcionários no ambiente de trabalho. Geralmente, isso acontece de maneira vertical, ou seja, marcado pela diferença de hierarquia, uma vez que o poder nas mãos do agressor é erroneamente associado ao abuso de seus subordinados. Essa ideia de poder dominante vai de encontro às ideias da filosófa alemã Hannah Arendt, ao atestar que o poder corresponde à habilidade humana para agir em concerto. O poder depende do coletivo, portanto deve estar em serviço a este.

Também é necessário pontuar que, de acordo com a teoria marxista do Materialismo Dialético, o homem contemporâneo tem seu valor agregado a suas produções materiais. Essa dinâmica capitalista não se limita somente ao mercado, mas rege as relações de trabalho. Desse modo, nota-se um ambiente laboral marcado pela competitividade entre os sujeitos, buscando o sucesso individual na superação do próximo. Nota-se, portanto, uma sociedade marcada pelo individualismo, contribuindo para atitudes de opressão e abuso de poder em prol da auto-promoção.

Desse modo, é evidente que medidas urgem para alterar o cenário de opressão e assédio moral nos ambientes de trabalho. Para tal, é necessária a alteração da mentalidade competitiva de trabalho para uma consciência cooperativa. Desse modo, as Secretarias de Trabalho e de Educação devem promover palestras e seminários em instituições de ensino ministradas por psicólogos e profissionais da área de Recursos Humanos que instruam sobre as relações de respeito no ambiente laboral, independentemente da posição de poder individual. Além disso, cabe ao Ministério do Trabalho promover campanhas que elucidem a lucratividade da socialização dos funcionários, uma vez que uma atitude mais cooperativa aumenta a produção coletiva. Feitas essas ações, espera-se transformar esse cenário, de modo que a sociedade contemporânea retorne ao projeto de defensora do bem-estar social.