Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 29/06/2021

No universo ficcional de Clarice Lispector, é comum a personagem viver um momento epifânico, isto é, a aquisição de consciência acerca do mundo. Ao analisar o assédio moral no trabalho, a partir dessa peculiaridade da narrativa clariciana, é notória a necessidade de se construir uma lucidez coletiva na sociedade hodierna. Nessa lógica, cabe problematizar de que forma a hierarquia no ambiente de trabalho agrava esse cenário, bem como esclarecer por que negligência do Estado no meio trabalista é um obstáculo a ser superado.

Em face dessa proposição inicial, nota-se que, no país, há relaçãoes de trabalho marcada pela posiçao de submissão e superioridade. Nessa perspectiva, numa analogia à narrativa clariciana, observa-se uma sociedade marcada pela apatia, posto que o chefe não está preocupado com o bem estar do funcionário, sendo capaz de usar essas pessoas em seu benefício. Há, evidentemente, a partir disso, situações desmoralizantetes, humilhantes e desestabilizadoras. Dessa forma, é latente que esse cenário urge por mudanças.

Ademais, é perceptível que há no país descaso por parte do governo quanto aos trabalhadores. Nesse contexto, consolida-se a percepção do filósofo iluminista Rousseau, na obra ‘’O contrato social’’. Conforme o pensador, para o bom funcionamento dos organismos sociais, é preciso que haja uma relação de confiança entre o Estado e a sociedade, configurando um princípio de cooperação. À luz dessa ideia, torna-se notório que há uma ruptura do contrato social, pois com a má gestão e com o foco em assuntos irrelevantes por parte do Estado, trabalhadores continuam a sofrer.

Diante dos argumentos supracitados, é preciso concentrar esforços em solucionar o problema do assédio moral no trabalho. A priori, cabe ao poder legislativo federal, por meio de emendas constitucionais, propor uma nova lei trabalhista, visando tornar o espaço laboral menos hierárquico, ou seja, sem subordinação. Outrossim, Cabe o Ministério do Trabalho fazer a fiscalização de empresas e microempresas, a partir de campanhas educativas em redes sociais e na TV aberta, objetivando expor e diminuir tal prática.  Feitas tais ações, espera-se solucionar esse entrave, em busca da consciência epifânica.