Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 27/06/2021

O filósofo Jean Paul Sartre afirmava que qualquer forma de violência representa o fracasso. Nesse sentido, tal premissa se faz presente no contexto brasileiro vigente, uma vez que o assédio moral no trabalho é uma questão recorrente. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que dificultam o combate desse cenário negativo, tendo em vista dois aspectos: passividade governamental e influência do capitalismo no comportamento social.

A princípio, é necessário ressaltar que a inoperância governamental é um dos motivos do combate ineficaz do tema em questão. A esse respeito o sociólogo Pierre Bordieu explica, por meio do termo violência simbólica, que a violência pode se manifestar em campo simbólico como, por exemplo, pela constante exposição do trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras. Nesse viés, a repetição de comportamentos abusivos que ferem a dignidade de outro ser humano visando prejudicá-lo constituem violação de direitos sociais por aflingirem as condições de vida digna presentes na Constituição. Vinculada a essa percepção, enquanto o desafio institucional permanecer, o combate ao assédio moral será uma realidade distante.

Além disso, a expansão do capitalismo e suas alterações nas condutas sociais também corroboram para a problemática. A esse respeito, no filme “Tempos Modernos” o autor Charles Chaplin mostra, em meio ao crescimento industrial, a reificação humana que caracteriza o sistema capitalista ao desumanizar o funcionário visto como parte de uma engrenagem de um fim lucrativo. Desse modo, esse comportamento violento para com os trabalhadores é resultado da reprodução deste mesmo enraizado nas relações trabalhistas desde seu início. Logo, é substancial o combate eficaz ao assédio moral no local de trabalho.

Portanto, é evidente que o enfrentamento dessa questão deve ser priorizada em busca de uma solução. Posto isso, cabe ao Ministério do Trabalho, em parceria com o setor privado, por meio de feedbacks mensais dos funcionários das empresas, com o fito de fiscalizar de que os direitos estejam sendo devidamente cumpridos. Ademais, é necessária a mudança de postura por parte das empresas prezando por um ambiente de trabalho harmonioso e resepeitoso entre colegas e entre esses e seus superiores. Assim, o assédio moral poderá ser visualizado como um empecilho do passado superado.