Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 04/11/2021
A música “Até Quando”, de Gabriel, o Pensador, elenca, como principal crítica, a comodidade do brasileiro frente aos problemas sociais. Infelizmente, essa situação serve de símbolo para o conformismo social diante do combate ao assédio moral no trabalho, uma vez que é a passividade dos indivíduos que dá continuidade à problemática no país. Dessa maneira, a negligência governamental, bem como a falta de debates fazem com que essa situação negativa persista.
Sob essa perspectiva, a omissão estatal é uma causa evidente da questão. Nesse contexto, Aristóteles, célebre pensador, disse, em seu livro ´´Ética a nicômano``, que o objetivo principal da política é garantir a felicidade dos cidadãos. Nessa lógica, o Estado brasileiro atual contraria a ideia do filósofo, cada vez que as medidas de combate ao assédio moral sofrido no ambiente de trabalho e o apoio as essas vítimas são negligenciadas, além de não haver políticas públicas para solucionar o problema. Logo, evidencia-se um cenário de descaso às garantias constitucionais.
Outrossim, é necessário evidenciar que o silenciamento contribui para a existência do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Em síntese, verifica-se uma falha em torno dos debates sobre a importância da denúncia e de que modo essa violação afeta a vida pessoal, profissional e social dos trabalhadores, o que favorece a falta de conhecimento da sociedade sobre a questão, tornando sua resolução mais dificultada.
É inaceitável, portanto, que o assédio moral no trabalho seja um impasse no território brasileiro. Cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados, criar uma campanha de conscientização contra a perseguição sofrida pelos os servidores no seu âmbito de trabalho, visando mitigar os índices de assédio moral e o impacto ocasionado com essas situações no país. Nele, deve constar que a campanha vai acontecer com palestras mensais sobre a temática, em espaços públicos e privados, com participação de profissionais capacitados para resolução desse imbróglio e que assegurem os direitos dos trabalhadores, além de debater o tema nas redes sociais do mistério. Desse modo, a comodidade e conformismo representados na canção não será realidade no Brasil.