Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 29/06/2021

De acordo com o Iluminismo, movimento intelectual do século XVIII,  a sociedade deveria pautar-se em “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Todavia, no que concerne ao infortúnio proeminente do assédio moral no trabalho, constata-se a deturpação das bases supramencionadas. Desse modo, é imperativo analisar não somente as consequências graves da problemática, mas também os fatores que atuam na perpertuação dessa realidade veronhosa no Brasil.

Precipuamente, convém salientar que, segundo Wilhelm Heitmeyer, cidadãos são sujugados não por sua connduta individual, e sim pelo pertencimento a um grupo. Nesse contexto, fica explícito que a existência de uma hierarquia social entre patrão e funcionário dá margem para que o dono dos meios de produção sinta-se no direito de explorar gravemente o trabalhador. Consequentemente, a saúde mental é fortemente afetada mediante as agressões costantes, fazendo com que, em uma parcela significativa dos casos, o indivíduo venha a pedir demissão, mediante seu “fracasso” rotineiro.

Outrossim, é indubitável que a falta de esclarecimento acerca desse ato maquiavélico é um fator-chave para a potencialização do problema. Acerca dessa premissa, nota-se  a refutação do pensamento elaborado pelo filósofo judeu Martin Buber, segundo o qual somente o diálogo é capaz de superar a ignorância. A título de ilustração, é mister citar o caso de pai e filho donos de uma loja de bijuterias em Belo Horizonte que foram presos em junho de 2021 após seis ex-funcionárias relatarem abusos sexuais que aconteciam no estoque da loja desde 2017. Assim, fica evidente que a  culpabilização da vítima -fenômeno peristente entre os brasileiros- causa a  persistência de tais crimes.

Diante dos fatos, é imprescindível que o Ministério da Educação, por meio das escolas de nível fundamental e médio, atue de modo a subverter esse cenário nefasto na sociedade brasileira. Para tanto devem ser contratados psicólogos e especialistas nos direitos do trabalhador para a realização de palestras mensais que evidenciem as formas claras e sutis de assédio no trabalho, estimulando atividades lúdicas que eduquem ambos os gêneros acerca da importância de  respeitar o próximo independente da posição social ou sexo e, que em casos de assédio moral, a denúncia deve ocorrer de imediato. Tais medidas visam a aniquilação da problemática mediante o ensino das normas legais de conduta desde a tenra idade e, dessa maneira, ratificar as bases iluministas no Brasil.