Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 11/01/2021
Segundo Immanuel Kant, filósofo alemão, o homem possui naturalmente um estado de menoridade, isto é, baixa clareza, a qual lhe afeta em todas as áreas. Logo, tal teoria fica explícita quando observada a realidade moderna, uma vez que a cibercondria apresenta entraves ao esclarecimento humano. Esse cenário oposto é fruto tanto da falta de acessibilidade a consultas, quanto das práticas da indústria farmacêutica. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de uma melhor estruturação social.
Nesse sentido, faz-se relevante pontuar a atuação ineficiente dos setores governamentais. Segundo o preâmbulo da Constituição Federal de 1988, o Estado deve assegurar direitos de ordem social e individual, vitais ao bem-estar, entretanto, isso não ocorre. Devido à negligência das autoridades, grande parte da cidadãos encontram dificuldades quando precisam de auxilio médico. Visto que, o sistema de saúde brasileiro enfrenta problemas estruturais e logísticos, ora há falta de pessoal, ora falta medicamentos, atingindo principalmente a população com menor renda. A medida que se sentem desamparadas pelo governo, procuram novos meios de recuperar a saúde e encontram na internet conteúdo amplo e de fácil acesso. Desse modo, urge que tal postura estatal sofra reformulações.
Ademais ,é imperativo ressaltar a indústria farmacêutica como promotora do problema. De acordo com o ICTQ 79% dos brasileiros praticam a automedicação. Partindo desse pressuposto, preocupações diante das práticas utilizadas pela indústria, como o excesso de propagandas digitais e a facilidade de compra de medicamentos tornam-se legítimas. Na era do consumismo, empresas tem como objetivo o lucro, muitas vezes em detrimento da saúde de seus usuários. A venda indiscriminada de remédios atinge índices astronômicos devido a facilidade com que se adquire tais drogas. Por consequente, causa-se um aumento dos gastos do SUS e mortes por intoxicação, facilmente evitadas por uma consulta médica apropriada ou atenção de um farmacêutico.
Portanto, com o intuito de mitigar o impasse, necessita-se, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será revertido em uma reestruturação logística com a finalidade de aumentar a eficiência prognósticos e diminuir o tempo de espera nas UBS, oferecendo melhores condições as pessoas. Assim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo o impacto nocivo do problema, e a coletividade dará, enfim, um passo em direção à maioridade Kantiana.