Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 26/12/2020
No documentário “Take your pills”, é retratado a narrativa dos jovens estadunidenses que são influenciados digitalmente a usarem remédios sem prescrição médica no intuito de aumentar sua performance escolar. Nesse sentido, a realidade apresentada pela ficção pode ser relacionada ao atual cenário da sociedade brasileira, a qual busca tratamentos e diagnósticos de doenças por meio da internet. Essa realidade se deve, essencialmente, à falta de orientação dos internautas quanto ao uso das redes digitais, bem como ao acesso deficitário da população ao sistema de saúde pública.
Em primeiro plano, pode-se destacar a ausência de educação digital e em saúde como uma das causas do problema. Nesse ínterim, segundo o escritor norte-americano, Nichollas Carr, em sua obra “Geração superficial” afirma que a internet, embora tenha universalizado as informações, tem provocado impactos negativos nos usuários notadamente na capacidade de reflexão sobre seus atos. Sob esse viés, as instituições de ensino e as mídias, ao não exporem aos discentes e a população o uso adequado das tecnologias digitais, com conteúdo filtrado de saúde e a importância da consulta médica especializada, permite a manutenção da irreflexão social quanto aos impactos que o excesso de informações sobre doenças e medicações podem causar no comportamento do indivíduo. Desse modo, uma ausente educação digital corrobora para o aumento dos casos de Cibercondria no país.
Outrossim, o acesso limitado da população brasileira ao sistema de saúde pública agrava o quadro. A esse respeito, de acordo com Aristóteles, em sua obra “Ética à Nicômaco”, a política deve ser usada de modo de garantir o bem-estar do corpo social. No entanto, observa-se que tal ideal encontra-se deturpado, haja vista que o precário acesso ao acompanhamento médico, como grande tempo de espera por consultas médicas, possibilita a busca populacional dos seus questionamentos de saúde nas redes digitais, um exemplo do Google. Como consequência disso, o autodiagnóstico e a automedicação torna-se uma prática rotineira.
Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem tal quadro. Acerca disso, urge ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) criar, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que detalhem a importância da checagem com veracidade as informações vistas nas redes digitais e advirtam os internautas dos perigos da Cibercondria, sugerindo ao interlocutor a buscar fontes variadas para pesquisas e valorizar as consultas médicas antes de qualquer remediação. Ademais, o Governo Federal deve ampliar o acesso da população à saúde, através de mutirões e palestras médicas, as quais sejam capazes de extinguir as dúvidas dos pacientes, a fim de garantir o bem-estar da população e reduzir tal patologia moderna.