Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 22/12/2020
Debate-se, com frequência, acerca da cibercondria, haja vista que essa doença se torna cada vez mais presente na era digital, podendo resultar em informações equivocadas sobre sintomas e incentivar a autodiagnose e automedicação. Isso ocorre, principalmente, devido à falta de informação de grande parte da população acerca desse mal, que se tornou tão comum na sociedade. Além disso, a dificuldade de acesso ao sistema de saúde e a demora no atendimento em hospitais contribui para essa problemática. Por isso, o poder público deve agir para mitigar essa situação.
Primeiramente, com o advento da internet, as pessoas começaram a desenvolver diversos hábitos no ciberespaço, como o de buscar sintomas na internet. Embora essa pareça ser uma atitude inofensiva, favoreceu o aparecimento da hipocondria digital, e isso se deve à falta de conhecimento das pessoas acerca desse mal e resulta no aumento de pessoas que se automedicam e fazem suas próprias diagnoses. De acordo com uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), de 2019, cerca de 40,9% dos brasileiros usam a internet para consultar sintomas e se automedicar, isso muitas vezes gera problemas ainda maiores, pois nem sempre a diagnose é correta.
Somado a isso, a dificuldade de acesso à saúde e a demora no atendimento dos hospitais também contribuem para esse problema. Uma vez que a facilidade e a praticidade oferecidas pela internet são, muitas das vezes, mais atrativas do que ir em um consultório e passar horas aguardando uma consulta. Segundo uma pesquisa realizada pelo Google, em 2020, 26% dos brasileiros preferem consultar a internet a consultar um médico, apesar dos riscos de se diagnosticar errado ou consumir um medicamento inadequado, esse fato abre espaço para que mais pessoas se tornem hipocondríacas digitais, mesmo que sem consiencia disso.
Assim sendo, é imprescindível que o poder público atue por meio do Ministério da saúde (MS), para conscientizar a população acerca da cibercondria e facilitar o acesso à saúde no ciberespaço. Para isso, o MS deve promover campanhas informativas sobre essa doença e os problemas que ela pode gerar, por meio da divulgação na mídia e redes sociais, como facebook e instagram, com o objetivo de informar a sociedade e reduzir o número de cibercondriacos. Ademais, o MS deve facilitar o acesso a saúde na internet, por meio da criação de sites administradas por médicos que contenham informações confiáveis, e a promoção da telemedicina pelo Sistema único de saúde (SUS), com o objetivo de evitar a autodiagnose e a automedicação dos hipocondríacos digitais e contribuir para a redução dessa enfermidade e de suas consequências.