Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 11/12/2020

Na série “West World”, é abordado a tecnologia na cura de ferimentos em autômatos humanóides. Essa cinematografia gera um ideal futurístico, em âmbito social, sobre a velocidade para sanar enfermidades. Em contexto real e hodierno, esse conceito da obra é explicitado no errôneo uso das tecnologias  de rede, como a internet, em um diagnóstico precipitado e imediatista. Tal prerrogativa respalda a cibercondria, uma doença surgida com a digitalização. Dessa forma, é lícito afirmar o falho acesso à saúde e a má educação quanto a confiabidade de fontes como alicerces dessa problematica.

Previamente, a contemporânea crise na saúde pública nacional -como hospitais depredados, falta de

assistencialismo, corrupção de gestores, ausência de humanismo em atendimentos- direciona a popula-ção para métodos práticos na obtenção de diagnósticos. Nessa percepção, com clara negativa gover-namental em promover direitos constitucionalmente defendidos, o índice de indivíduos que se autome-dicam ascende. Nesse segmento, consoante o Conselho Federal de Farmácia, 80% do brasileiros já se automedicaram, principalmente com base em consultas no “Dr. Google”. Assim, sem respaldo científico e efetividade, os riscos são maiores que os possíveis benefícios, como afirma o médico Draúzio Varela.

Em segunda análise, o conhecimento raso relativo ao “marketing” das indústrias farmaceuticas, dis-

-seminação de “fake news”, “sites” inverídicos corroboram à doença. Tais fatores utilizam dessa igno-rância para propagar conceitos de uma especie de “power” - pílulas que oferecem poderes a quem as utilizam, abordado por um filme fictício com o mesmo nome. A vista disso, o documentário “Take Your Pills”, da Netflix, torna evidente as mazelas relativas ao uso indiscriminado de remédios estimulantes. Nessa produção, de modo análogo a cibercondria, pessoas são manipuladas por um sistema consumis-ta na busca por melhor desempenho ou de mitigar/sanar enfermidades corporais. Por esse ângulo, é necessária a promoção de meios confiáveis de pesquisa e, ainda, de instruções coesas e acertivas.

Logo, fica claro que é impreterível por fim a essa doença digital. Para tanto, os órgãos do Estado, responsáveis pela educação, saúde e tecnologia, devem criar um “site” e um aplicativo (APP) para dar suporte  informativo às massas. Essa ação poderá ser feita, a priori, com seleção de artigos e pesquisas científicas renomadas, por profissionais especializados, para montar, em linguagem simples e cotidiana, um acervo informativo confiável nessas ferramentas dispostas. Ademais, o APP poderá dispor de consultas telemédicas para instruções coesas aos pacientes de modo rápido e seguro. Isso posto, e difundido nas grandes mídias como TV e redes sociais, atingirá o fito de democratizar a saúde e se aproximar da realidade trazida por “West World”.