Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 30/11/2020

No início de 2019, podemos observar mais uma vez o reflexo da crise de saúde do Brasil. Com o retorno dos médicos cubanos ao seu país de origem, um grande número de médicos brasileiros passou a atuar em áreas de difícil transporte e poucos recursos. Afinal, se o atendimento à saúde ainda está disponível no Brasil, não é de se estranhar que casos de cibercondria estejam aumentando e cada vez mais pessoas busquem soluções para as doenças do “profeta” do século 21.

Em primeiro lugar, a disponibilidade relativamente fácil de medicamentos nas cidades, associada à precária situação da saúde pública, tornou a automedicação uma “solução” rápida para qualquer doença. Embora que na Austrália e em outros países, até a compra de anticoncepcionais exija receita, no Brasil, não é difícil observar a quantidade de pessoas que podem comprar medicamentos (inclusive medicamentos com tarja vermelha) sem a receita. Porém, a oferta de serviços de saúde nos países desenvolvidos é exatamente igual às necessidades da sociedade, facilitando consultas e exames rápidos e eficazes.

Em segundo lugar, a falta de confiança nos médicos, os altos preços dos remédios e a falta do SUS, têm levado as pessoas a buscarem tratamentos alternativos. Embora não haja evidências científicas adequadas, esta medicina alternativa foi rejeitada por muitas pessoas e, com base no conhecimento popular, tem funcionado de forma estável e eficaz durante séculos, especialmente em cargos que não foram preenchidos desde a saída dos médicos cubanos.

Portanto, é necessário que o Poder Executivo coordene melhor os recursos materiais e humanos disponíveis e forneça aos médicos subsídios medicinais de forma rápida e eficaz para atender a todos, principalmente aos que mais precisam de ajuda. Afinal, embora a cibercondria seja um problema crescente, ainda há 40% de pacientes desconectados no Brasil, que, portanto, ainda não conhecem o Dr. Google.