Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 30/11/2020

Na série “Dr. House”, é retratado o médico Gregory House, que faz uso de fármacos adquiridos de forma ilegal e indiscriminada através da farmácia que há no hospital em que trabalha, usando de sua influência para suprir esse vício. Apesar de se tratar de um conteúdo fictício, no Brasil diversas pessoas praticam do mesmo hábito do médico, mesmo sem estarem inseridas no contexto hospitalar. Assim, com o advento da tecnologia, o acesso à informações ficou cada vez mais fácil e dessa forma, quando se busca pelos seus sintoma na internet, rapidamente é recomendado um medicamento. Nesse sentido, surge a cibercondria, doença que assola a população brasileira de forma severa.

Em primeiro plano, é importante destacar que, em função da falta de orientação sobre as novas tecnologias as famílias não sabem sobre os prejuízos quando essas são utilizadas de forma erronia para cuidar da saúde. Dessa forma, fica evidente por meio de uma pesquisa realizada pelo ICTQ que cerca de 79% da população pratica a automedicação, sendo que essa taxa tende a crescer nos próximos anos devido ao maior acesso a rede mundial de computadores. Nesse sentido, é notória a necessidade de se haver intervenções nos resultados de buscas relacionados à sintomas e intervenções, visto que os prejuízos à saúde são diversos e podem ocasionar fatalidades em grandes escalas.

Posteriormente, cabe avaliar a existência da lei nº 2848 que estipula penalidades e proíbe a venda de medicamentos sem receitas. Entretanto, o respeito do decreto não acontece por parte dos cidadãos, tanto dos enfermos quanto dos que fornecem a medicação. Além disso, não há uma fiscalização frequente dos estabelecimentos que fornecem fármacos e assim, obtendo de forma fácil a medicação, o paciente passa a não recorrer a ajuda de um profissional da área para tratar de seus sintomas. Desse modo, muitas vezes se é ingerido medicações inapropriadas e sem necessidade, visto que há uma grande crença errônea provocada pelo autodiagnóstico através de informações dispostas na internet. Assim, o caso do enfermo pode ser agravado e caso possua alergias às substâncias, pode vir a óbito.

Dessa forma, urge a necessidade de combater a Cibercondria e a automedicação no Brasil, visto seus danos à integridade física e mental da população. Desse modo, cabe ao Ministério da Saúde  a intervenção das informações publicadas nos sites de pesquisa através de fiscalizações frequentes, informando na busca a necessidade se procurar ajuda de um médico. Ainda, cabe aos veículos midiáticos a conscientização da sociedade sobre a Cibercondria e seus efeitos, por meio de campanhas publicitárias e associação de conteúdos na internet, visando evitar maiores danos à saúde de todo. Somente dessa forma será possível estabelecer limites entre a internet e a saúde do Brasil.