Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 22/12/2020
O Sistema Único de Saúde (SUS) possui como um de seus princípios a universalidade, que em conformidade com a Constituição Federal de 1988, caracteriza a saúde como direito de todos de forma igualitária. Entretanto, o cenário atual reflete outra realidade, uma vez que a dificuldade em obter atendimento médico seja um dos fatores do surgimento de distúrbios psicológicos como a cibercondria, termo que faz referência à hipocondria e se manifesta através da busca por diagnósticos na internet com base em sintomas perceptíveis, ocasionando ainda a automedicação.
A princípio, é importante destacar que muitas pessoas têm dificuldade de acesso ao atendimento médico e à realização de exames, que são processos muitas vezes burocráticos e demorados que refletem a desigualdade ainda existente no país. Conforme publicado pela rede Globo de televisão, o tempo médio de espera para marcar uma consulta na cidade de São Paulo é de cerda de 80 dias. Em decorrência desse e de outros fatores, a população tem recorrido cada vez mais à internet em busca de diagnósticos que expliquem seus sintomas.
Somado a isso, muitos brasileiros recorrem à automedicação, prática culturalmente enraizada de se medicar sem a orientação de profissionais capacitados, muitas vezes por recomendação de familiares e conhecidos. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, em todo o mundo mais de 50% de todos os medicamentos receitados são dispensáveis ou vendidos de forma inadequada. E, de acordo com pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Fármacia, a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros.
Nota-se, portanto, que a cibercondria é resultado de problemáticas socioculturais ainda existentes, como a desigualdade no acesso ao atendimento médico e a prática de se automedicar. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Saúde promover o acesso igualitário aos serviços prestados pelo SUS através da ampliação e do aprimoramento de programas prestados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), , oferecendo atendimento médico e a realização de exames rotineiros aos cidadãos. Desse modo, contribuindo nesse contexto para a isonomia em busca de reduzir a desigualdade entre a população.