Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 22/09/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista e acredita em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a cibercondria torna o país cada vez mais distante do imaginado pela personagem. Nesse âmbito, seja pela pela influência midiática, seja pela ineficiência do governo, o problema exige uma reflexão urgente.
É necessário destacar, a priori, que a atuação dos meios midiáticos corrobora de forma intensiva o entrave. Nesse viés, de acordo com Joseph Goebbel, ao afirmar que algo só se torna verdadeiro ao ser veiculado constantemente, ratifica como a mídia e a publicidade, erroneamente, são utilizadas para disseminar falsas informações, principalmente relacionadas à saúde. Nesse sentido, esse meio de divulgação funciona como mecanismo de coerção de toda a sociedade, a qual é convencida de não precisar se consultar com um médico, pois uma simples pesquisa na internet já determinaria a doença ou os medicamentos necessários para a melhora do paciente. Assim, esses indivíduos perdem a autonomia do pensamento e baseiam-se em autodiagnósticos.
Ademais, é imperativo pontuar que a idealização de Quaresma distancia-se ainda mais da realidade brasileira, visto que a falta de políticas públicas contribui para a continuidade da problemática. Segundo Abraham Lincoln, ícone político americano, a política existe para servir ao povo e não o contrário. Nesse sentido, em relação à doença da era digital, o que se percebe é justamente a ideia oposta a que Lincoln defendeu, pois não há um conjunto de ações, planos, metas públicas voltadas para o sistema de saúde precário. E, como consequência, há o agravamento de pessoas que não conseguem atendimentos com especialistas para tratar alguma patologia que poderia ser solucionada se houvesse mais interesse e investimento do Estado. Logo, as pessoas continuam à procura de respostas imediatas no ciberespaço e não consideram que um mesmo sintoma pode ser encontrado em diversas doenças.
Diante disso, medidas são necessárias para mitigar essa problemática. Para tanto, é dever da mídia – grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião – assumir seu papel de agente social para informar a população sobre os perigos das buscas on-line relacionadas à saúde, por meio de programas televisivos, como novelas, documentários e reportagens, os quais retratem, de maeira fidedigna a realidade hodierna, a fim de reduzir os estereótipos e o silêncio em relação ao assunto. Dessa forma, notar-se-á uma melhora no cenário nacional maior aproximação do ideário de Policarpo Quaresma.