Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 22/09/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a cibercondria torna o país ainda mais distante do imaginado pela personagem. Nessa perspectiva, seja pelas pessoas não procurarem ajuda apropriada, seja pela facilidade de acesso as informações na internet, o problema continua silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
A priori, é necessário destacar que esse sonho de um Brasil perfeito está distante do Brasil real, visto que essa “afecção” leva o país de encontro a essa concepção idealizada por Quaresma. Isso porque, mediante a variedade de informações disponíveis na web, os indivíduos tendem a se auto avaliar acreditando que se enquadram na doença apresentada. Diante desse cenário, pode-se perceber que ansiedade e preocupação são como “efeito colateral” de pesquisas sem embasamento qualificado. Portanto, o legado de negligência e a ignorância frente à cibercondria persiste e impede que o Brasil prospere rumo ao desenvolvimento social pleno.
Outrossim, questões sociais estão intimamente ligadas ao fato de o paciente apresentar compulsão em pesquisar sobre seus sintomas na internet. Nesse âmbito, é importante salientar que autodiagnósticos provocam medo excessivo e não realista, uma vez que boa parcela da população não procura ajuda profissional ou até mesmo duvidam dos diagnósticos efetuados por médicos. Dessa forma, as pessoas tendem a se automedicar em meio a custo reduzido e acessível por terem certa comodidade de “descobrir e resolver o que é”. Logo, é mister afirmar que essa situação afeta a sociedade como um todo e, por isso, precisa ser combatida.
Sendo assim, é fundamental ações para mitigar a condição atual. Para tanto, o governo, juntamente com o Ministério da Saúde, deve informar os cidadãos por meio de debates acerca de buscas na internet que influenciam negativamente no crescimento de angústia e medo, garantindo a confiança nos estudos de profissionais especializados na área da saúde. Deste modo, observar-se-ia uma nação formada de pessoas mais responsáveis e autorreflexivas.