Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 22/09/2020

Hodiernamente, a automedicação é um desafio que atinge a sociedade brasileira, que vem sofrendo com um aumento nos índices de Cibercondria, sobretudo com o advento da internet nas ultimas décadas. Posto isto, discorrem-se sobre as consequências desse ato não recomendável, a influência gerada pelos profissionais da área farmacológica e, de que forma esta situação pode ser resolvida.

Dentre os inúmeros motivos que levaram a necessidade de automedicação, é incontestável que o fato está relacionado as demasiadas  indicações viabilizadas por pessoas em sites e blogs no Ciberespaço, que muitas vezes não possuem capacitação para dar orientações. Segundo o instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico (ICTQ), 79% dos brasileiros com mais de 16 anos praticam a automedicação, sem ponderar os copiosos riscos a saúde, como intoxicação, dependência, reações alérgicas e até morte.

É importante analisar, também, a influência dos profissionais da indústria farmacêutica sobre seus clientes. Muitos são os casos de venda de  medicamentos desnecessários para o tratamento da doença e até mesmo comercialização de receitas que só podem ser prescritas por um profissional habilitado para tal. Essa venda ilegítima efetuada nas próprias farmácias gera lucro para as empresas farmacêuticas. Outro fator a ser examinado é a demora e dificuldade de acesso a medicamentos na Farmácia Cidadã, propriedade do governo que cede remédios gratuitamente, devido a falta dos mesmos e na burocracia desde sua liberação até a sua obtenção.

Em virtude dos fatos mencionados, faz-se necessária mudanças no cenário populacional, governamental e profissionais boticários. No primeiro, é preciso, antes de tomar qualquer providencia, buscar auxílio aos ocupacionais da saúde, reduzindo riscos de agravamento no caso. Para o segundo, é imprescindível o cumprimento de seu dever para com o corpo social, seguindo as diretrizes impostas no artigo 196 da Constituição Federal de 1988, a qual diz que " É dever do estado garantir acesso á saúde". Já para os profissionais de farmácia, é indispensável um reforço na ética, para que a venda ilegal de receitas e medicamentos não seja efetuada, intentando a melhoria da qualidade de saúde da população.