Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 22/09/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante, um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a cibercondria - a doença da era digital, torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pelo autodiagnóstico e automedicação sem consulta médica,  seja pela longa espera por um atendimento médico no sistema de saúde público, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar, é válido destacar que umas das causas que corrobora para o problema está ligado, sobretudo, ao medo excessivo de ter doenças que podem comprometer a saúde. Nesse sentido, segundo uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia, 77% dos brasileiros que alegam ter alguns sintomas, realizam o autodiagnostico, e consequentemente a automedicação. Tal situação, ocorre muita das vezes, pelo simples fato do indivíduo achar sempre que está doente, por encontrar na internet sintomas iguais ou que se assemelham ao que sente, afirmando ter descoberto a causa do problema. Nesse sentido, fica-se evidente que, diagnóstico mal interpretado e automedicação não eficaz, contribuem para além de maximizar a real causa da doença, dificultar seu tratamento, por isso, é inaceitável que essa situação se perpetue na sociedade contemporânea.

Somado a isso, é válido reconhecer que a internet atua como facilitadora, trazendo informações de maneira rápida e de fácil acesso. Nesse sentido, segundo dados do IBGE, 64% da população possui acesso a internet, como sites de buscas, em que possuem contato com um grande número de informações. Desse modo, juntamente com a demora para receber um atendimento no sistema público de saúde, não só na emergência mas também para agendamento de consultas com alguma especialidade, que segundo a comissão ALMT o tempo médio de espera é de 1 ano e 4 meses, a população usa como alternativa mais rápida e prática, a pesquisa por diagnósticos na internet, como maneira mais eficaz de resolver o problema por conta própria, realizando a automedicação sem ao menos passar por uma consulta médica. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Depreende-se, portanto, que são necessárias medidas capazes de mitigar o problema. Para tanto, é imperiosa uma ação do governo, que deve por meio de campanhas midiáticas para conscientização, promover debates que mostrem a importância da população em se alertar sobre os riscos de pesquisar sintomas de doenças na internet e de se automedicar sem consulta médica, a fim de proporcionar uma melhor qualidade de vida para a sociedade. Somente assim, poderá ser observado um país em que esses problemas poderão ser mazelas passadas na história brasileira.