Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 30/07/2020

Uma das maiores evoluções na história da humanidade ocorreu no final da década de 60, quando houve a criação da Internet, o maior banco de informações do mundo, o que o torna extremamente útil, qualquer dúvida é sanada em questão de segundos. Contudo, o recurso passa a fazer o contrário quando o assunto é diagnosticar alguma doença.

Diagnosticar-se sozinho usando a internet é, no mínimo, um ato irresponsável, uma vez que o sistema de pesquisas funciona por palavras-chaves, qualquer doença com sintomas similares aparecerá no resultado, trazendo um leque de opções de doenças, que, sem confirmação, deixa o pesquisador à mercê da cibercondria.

O Conselho Federal de Farmácia (CFF), em uma pesquisa feita em 2019, diz que a automedicação toma 77% dos brasileiros.“A automedicação é altamente perigosa, porque é um caminho para a dependência química e para efeitos colaterais que podem gerar outros problemas de saúde”, disse a psicóloga Karyne Correia, em 2020, sobre o aumento de antidepressivos no Brasil.

Junto com a facilidade de adquirir medicamentos sem receita, as pessoas costumam possuir uma confiança absurda na Internet, ignorando  todas as recomendações médicas. O seguinte trecho da música de Gustavo Mioto, Fake News, “Não dá pra sair acreditando em tudo que cê’ ouve não” evidencia uma crítica a fácil confiança dos brasileiros em fontes não especializadas.

Conclui-se que o hábito da automedicação não é recomendável, principalmente com o mal uso da Internet. Uma campanha poderia nascer e ser propagada pelo governo, assim como a do Outubro Rosa, por exemplo. A população poderia ser estimulada e acostumada a ser examinada unicamente por médicos, além de outras possíveis soluções, que devem ser avaliadas e aprovadas para realmente acontecerem.