Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 29/07/2020

A internet facilitou o acesso a informações relacionadas à saúde e bem-estar, como “sites” na web que disponibilizam conteúdos sobre prevenção e sintomas de doenças. Entretanto, no Brasil, a busca indiscriminada referentes ao tratamento e diagnóstico de enfermos pela internet tem ocasionado imbróglios para a saúde pública, denominado cibercondria.. Dessarte, é imprescindível destacar como propulsores da problemática, a desinformação e  a má qualidade do atendimento nos hospitais públicos.

A priori, de acordo com o filósofo Sócrates, existe um único bem, o saber, e um único mal, a ignorância. Nessa perspectiva, é possível relacionar o saber às pessoas que seguem as recomendações médicas a rigor e evitam seguir conselhos e orientações que podem ser encontradas em canais da internet, os quais, muitas vezes, não têm fundamento científico. Não obstante, a ignorância ainda prevalece, tendo em vista que, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40% dos brasileiros se autodiagnosticam. Por conseguinte, o combate às patologias é dificultado devido à imprecisão do autodiagnóstico e a possível complicação do problema.

Ademais, a dificuldade de acesso aos serviços de saúde pública impulsiona a busca por informações e autodiagnóstico mediante a internet. Exemplo disso são os dados do IBGE os quais indicam que mais de 40% dos brasileiro consideram o atendimento hospitalar público ruim ou péssimo. Nessa lógica, a fim de evitar estresse e longa espera em hospitais, a população decide pesquisar sobre seus sintomas e tomar medidas que, em muitos casos, não é a mais adequada, como a automedicação.

Depreende-se, portanto, que é necessário a atuação do Estado para promover a instrução no meio social e a melhora no atendimento de hospitais públicos. Com tal fim, o Poder Executivo deve, mediante investimentos nas instituições de saúde e em propagandas, promover campanhas publicitárias que disseminem informações sobre os riscos e consequências do autodiagnóstico e automedicação baseados em pesquisas nas redes sociais. Além disso, os investimentos hospitalares no setor administrativo devem ser aprimorados, com o objetivo de agilizar os atendimentos ao público e facilitar o acesso ao atendimento médico e, por conseguinte, evitar a substituição desse atendimento pela busca de instruções na web.