Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 19/07/2020

Os avanços tecnológicos oriundos da Revolução Técnico-Científico-Informacional alteraram profundamente as relações do homem com o ambiente e seu corpo. Embora tenha proporcionado significativos benefícios, o progresso das tecnologias também suscitou problemáticas como a cibercondria, massivamente presente na atual realidade brasileira. Assim, é lícito inferir que o imediatismo, traço preocupante das sociedades contemporâneas, e a postura negligente da mídia – resultado de uma visão capitalista inconsequente de parte do empresariado - são agentes perpetuadores do danoso panorama.

A priori, é fulcral perceber como a busca por resultados imediatos representa um entrave para a mitigação da cibercondria no Brasil. Consoante o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a cultura do imediatismo é uma característica indissociável da vida moderna. Nesse sentido, muitas vezes, pacientes instigados pela necessidade de respostas rápidas pesquisam seus sintomas em mecanismos de buscas na internet ao invés de recorrer à orientação médica. Por conseguinte, a prática nociva de automedicação e a ansiedade – proveniente das possibilidades de doenças apresentadas - são potencializadas, de modo a comprometer a saúde física e mental do indivíduo.

Outrossim, cabe ressaltar os impactos negativos da influência midiática diante da questão. Segundo o filósofo alemão Max Horkheimer, os veículos de comunicação deveriam promover a democratização do acesso à informação. Entretanto, tal ideal é subvertido à medida que empresas preocupadas apenas com o ganho pessoal utilizam os espaços de mídia somente para moldar os padrões de compra e, em alguns casos, induzir o uso indiscriminado de medicamentos a partir de propagandas. Desse modo, a ausência de divulgação de dados acerca da doença e os estímulos publicitários individualistas, que priorizam o lucro em detrimento do bem-estar coletivo, tornam a população alheia ao problema.

Portanto, urge que o Governo Federal, em parceria com o Ministério das Comunicações e o Ministério da Saúde, crie a campanha Consulte um Médico, a qual deverá divulgar informações gerais sobre a cibercondria, seus sintomas, causas e consequências. Tal proposta deve ser efetivada por intermédio da disseminação de peças publicitárias, como vídeos e cartazes, nas principais plataformas de comunicação – especialmente nas redes sociais, em virtude de seu vasto alcance – a fim de estimular a procura por atendimento médico e advertir sobre os malefícios fisiológicos da automedicação. Feito isso, o cenário proposto por Horkheimer poderá, enfim, ser convertido em realidade.