Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 28/01/2021
Na série produzida pela Globoplay ‘’Sob pressão’’, retrata a vida de médicos e pacientes de um hospital público brasileiro. Em um dos seus episódios, uma paciente busca ajuda médica após analisar sintomas e um possível diagnostico de câncer que viu na internet, um autodiagnóstico precipitado, que se enquadra à cibercondria. Na trama, reflexões acerca autodiagnóstico e automedicacao, podem ser relacionados a realidade apresentada no contexto atual devido a: cibercondria ser uma doença da era digital. Nesse sentido, é preciso entender suas causas e prováveis soluções.
A princípio, é possível perceber que essa circunstância deve a questões estruturais. Embora a Constituição Federal de 1988, determine, por meio do art 196, que a saúde é um direito de todos e um dever do estado, as longas filas para uma eventual consulta desestimam a sociedade, preferindo confiar em diagnósticos apresentados na internet. Segundo dados da Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), 40% dos pacientes fazem autodiagnóstico pela Internet e, consequentemente, também se automedicam. Dessa forma, é evidente como a precarização do sistema saúde pode desencadear intervenções inadequados ao paciente, violando uma garantia constitucional e estimulando o autodiagnóstico.
Outrossim, vale ressaltar que essa situação é corroborada por fatores sociais. Isso se devo ao fato de que, a industria farmacêutica estimula à automedicação através de sites não confiavéis, podendo impulsionar uma intoxicação ou vicio aos medicamentos. Em consonância com o filosofo Guy Debord, em sua teoria sobre a sociedade do espetáculo, afirma que a dominação cultural da mídia- por meio de propagandas-, difunde costumes, tornando o indivíduo vulnerável ao meio. Nesse viés, é notório como o uso de sites suspeitos pode excitar o uso indiscrimidado de remédios, tornando a populacao não apenas um produto do capitalismo, mas também, suscitar problemas sérios a saúde mental e física.
Torna-se evidente, portanto que a cibercondria, denominada a doença da era digital, possui entraves que precisam ser revertidos. Logo, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com o da Economia, deve investir e redirecionar verbas, para a criação de novos centros de atendimentos voltados para assistência básica, de modo a diminuir as filas em hospitais, ter uma medicina cada vez mais preventiva e consequentemente cumprir uma garantia da legislação. Ademais, o Ministério da Educação, em adicao com o da Cultura, precisa promover palestras e debates, acerca dos malefícios da automedicacao, além de investir na criar aplicativos e sites com informacaoes confiáveis, de forma a restringir o poder das industrias farmacêuticas e elucidar os problemas do costume de se automedicar. Com essa medidas, talvez, casos como o da série ‘’Sob Pressão’’, estejam longe da realidade brasileira.