Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 31/01/2020

Promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas, a Declaração dos Direitos Universais garante a todo indivíduo acesso à saúde e ao bem-estar social. Nesse sentido, o cenário hodierno apresenta ferramentas tecnológicas que visam melhorar a qualidade de vida da população. Entretanto, o excesso de informações sobre patologias disponíveis na internet atua como agente dissipador de ansiedade, haja vista que o aumento infundado da preocupação sobre a sintomatologia (baseada nos resultados de pesquisa da Web) afeta negativamente o próprio indivíduo, seja por exacerbar sinais psicopatológicos ou seja pelo pré diagnóstico erroneamente definido (isto é, sem a avaliação médica).          Em primeiro plano, é importante ressaltar que indiscutivelmente, as informações sobre saúde e doença tornaram-se disponíveis e de fácil acesso com o advento da internet. Contudo,quando utilizadas de maneira subversa podem ocasionar stress e danos significativos. Nesse viés, afeitos adversos são ocasionados pela preocupação excessiva, logo, um ciclo reverberante é acionado,cujo conhecimento detalhado sobre a doença aumenta a ansiedade gerando stress, o que por sua vez leva a maximização dos sintomas. Tal fato pode ser comprovado pela perspectiva de Sigmund Freud, que enfatiza o poder dos processos mentais inconscientes no comportamento e na saúde humana. Sendo assim, pode-se dizer que além da sintomatologia já existente, o “Dr. Google” pode atuar como stopim de outras condições psiquiátricas como por exemplo, a depressão e ataques de pânico.

Além do mais, pacientes com síndrome pela pesquisa na internet (Cibercronia) consultam seus sintomas online e admitem uma ideia pré determinada sobre a patologia,e por vezes refutam a procura por profissionais especializados. Em outras palavras, o auto diagnóstico pode levar a sobrestimação da probabilidade de doenças graves, além de estimular a auto medicação incorretamente. Nessa circunferência, é indubitável que as alternativas tecnológicas utilizadas sem discernimento contrapõem-se aos aspectos vitais.Outrossim, as fontes vinculadas a um clique nem sempre possuem respaldo científico, o que agrava ainda mais a situação.

Portanto, conclui-se que o excesso de informações sobre patologias em sites de busca são prejudiciais aos indivíduos que não conseguem executar a “Mediania” (equilíbrio) defendida por Aristóteles.Nessa vertente, é imprescindível que o Governo Federal, através da campanha “Clique Seguro”, vincule mídias nas redes sociais por meio de influenciadores digitais enfatizando os riscos da cibercronia , afim de garantir uma sociedade mais saudável, consequentemente, gastos com o SUS (Sistema Único de Saúde) serão minimizados e o país poderá investir em melhorias em outros setores proporcionando mais  qualidade de vida para a população.