Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 29/10/2019

Na obra “Utopia”, do escrito inglês Thomas More, é retratado uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, o que se observa na sociedade contemporânea é o oposto daquilo que prega o autor, uma vez que a Cibercondria apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de acessibilidade a consultas, quanto das práticas da indústria farmacêutica. Diante disso, torna-se fundamental a discussão acerca desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primeiramente, é fulcral ressaltar que o problema deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências.  Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável pelo bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a baixa atuação das autoridades, grande parte dos cidadãos encontram dificuldades quando precisam de auxílio médico. Visto que, o sistema de saúde brasileiro enfrenta problemas estruturais e logísticos, ora há falta de pessoal, ora há falta de medicamentos, atingindo principalmente a população com menor renda. A medida que se sentem desamparada pelo governo procuram novos meios de recuperar a saúde e encontram na internet conteúdo amplo e de fácil acesso. Desse modo, faz-se necessária a reformulação  dessa postural estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a indústria farmacêutica como promotora do problema. De acordo com o ICTQ 79% dos brasileiros praticam a automedicação. Partindo desse pressuposto, preocupações diante das práticas utilizadas pela indústria, como o excesso de propagandas digitais e a facilidade de compra dos medicamentos tornam-se legítimas. Na era do consumismo, empresas tem como objetivo o lucro, muita das vezes em detrimento a saúde de seus usuários. A venda indiscriminada de remédios atinge índices astronômicos devido a facilidade com que se adquire tais drogas. Por consequente, causa-se um aumento dos gastos do SUS e mortes por intoxicações facilmente evitadas por uma consulta médica apropriada ou atenção de um farmacêutico.

Assim, com o intuito de mitigar o problema, faz-se mister que o Tribunal de Contas da União, direcione capital que por intermédio do Ministério da Saúde, será revestido em uma reestruturação logística com a finalidade de aumentar a eficiência dos prognósticos e  diminuir o tempo de espera nas UBS, oferecendo melhores condições as pessoas. Diante disso atenuar-se-á a médio e longo prazo o índice de diagnósticos errados pelo meio digital e a coletividade alcançará a Utopia de More.