Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 09/10/2019

No filme ficcional ‘‘Jogador Número 1’’, baseado no livro do escritor Ernest Cline, é retratada a vida do personagem Wade Watts em 2044 que, assim como o resto da humanidade, prefere a realidade virtual do jogo OASIS ao mundo real. Nesse sentido, para Wade, o real desafio é se desvincular desse ambiente e viver a vida fora do mesmo. Fora da obra, é fato que a ficção apresentada por Ernest pode ser relacionada à sociedade contemporânea: as pessoas tendem a se esconder e se refugiar nos computadores, celulares, fóruns e redes sociais de modo a viver cada vez menos a vida fora deles. Diante disso, nota-se que a cibercondria está intrinsecamente associada ao despreparo psicológico da humanidade como um todo quanto à evolução tecnológica vivida nos últimos dois séculos, o que trouxe consequências físicas, psicológicas e sociais para as novas gerações.

Em primeiro plano, é importante destacar que, desde a Primeira Guerra Mundial, a humanidade tem desenvolvido ferramentas para facilitar a vida cotidiana: rádio, televisão, celular, internet. Nesse âmbito, segundo o sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard, vive-se em um mundo em que há cada vez mais informações e menos sentido. Desse modo, com o aparecimento das redes sociais, a sociedade viu nelas uma válvula de escape da realidade assim como Wade Watts, um ambiente onde elas veem apenas o que lhes agrada, um conto de fadas. Porém, acabaram virando refém das aparências proporcionas pelas mesmas ao mesmo tempo que não conseguem aproveitar o real potencial da internet, ambiente com informações praticamente ilimitadas.

Vale analisar, ainda, as consequências reais que esse vício em tecnologias tem acarretado na vida em sociedade. Desse modo, além de estar intimamente relacionada ao sedentarismo e obesidade as consequências psicológicas são extremamente notáveis. Assim, a depressão e a ansiedade têm recebido cada vez mais atenção, uma vez que sua presença na sociedade tem se intensificado com o uso contínuo de ferramentas como a internet. Desse modo, de acordo com estudos do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados, 70% das pessoas dizem sentir inveja das vidas perfeitas que veem nas redes sociais de modo que se sentem tristes com a sua própria.

Ao considerar os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para atenuar os efeitos colaterais da cibercondria na sociedade. Logo, cabe ao Estado investir na formação de profissionais na área da psicologia, de modo a tornar obrigatório a presença do mesmo nos ambientes escolares, para dar suporte aos alunos quanto aos problemas oriundos da cibercondria, além de aconselhar sobre o uso correto e moderado de quaisquer ferramentas virtuais. Assim, a sociedade não precisará temer pelo futuro distópico de Ernest Cline.