Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 19/10/2019

Em meados do século XX, ocorreu um fato marcante na história do Brasil: militares iam nas casas dos cidadãos os obrigando a tomar a vacina preventiva da rubéola, porém, os mesmos se recusavam a tomar, já que, acreditavam que aquilo era veneno e logo após a injeção iriam morrer. Fora desse contexto, a internet proporciona um efeito contrário na era digital, conhecido por “cibercondria” onde a internet facilita para com as pessoas dispensem a procura por médicos ou qualquer outra solução física para seus problemas. Assim, necessitando-se a superação de maneiras alternativas de automedicação.

A priori, a má interpretação do que se lê na internet juntamente com a falta de noção informacional básica sobre problemas de saúde, influenciam em resultados negativos e preocupantes diante de inúmeras situações. Acerca dessa premissa, a novela “Bom Sucesso” exibida pela Rede Globo, mostrou o desespero de uma mulher que teve seu exame trocado no hospital, e nele constava que ela possuía uma doença terminal que contabilizava seu tempo de vida restante em 6 meses. Fora da ficção, entretanto, isso se assemelha às pessoas que ao pegar um laudo laboratorial trocam o local de prioridade de um médico para a ferramenta de pesquisas “Google”. Por consequência, essas atitudes enganam o indivíduo, uma vez que, dispensar uma precisão profissional pode acarretar em consequências vitais, dado que confiar no digital é confiar em uma incerteza em se tratando de saúde.

Ademais, doenças graves como o câncer, requerem tratamentos especiais realizados unicamente em clínicas e hospitais. No entanto o Google disponibiliza diversos “tratamentos alternativos” que consistem em receitas caseiras que prometem curar qualquer doença. Acerca dessa premissa, segundo o site “portalt5”, a faixa etária que maior consome medicações sem prescrições médicas fica entre 25 a 34 anos de idade. A partir desse dado, extrai-se uma conclusão triste sobre a desinformação do cidadão brasileiro, que ao invés de lutar pela melhoria do Sistema Único de Saúde (SUS) prefere arriscar a vitalidade do seu organismo e agravar ainda mais seus problemas.

Torna-se evidente, portanto, a banalização da saúde bem como a falta de informação básica para o afastamento da cibercondria. Desse modo, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação e Cultura, criar conteúdos de campanhas educativas que informem, por meio de mídias- internet, televisão, rádios- sobre os perigos de se automedicar e também, informando locais além de hospitais, onde médicos do SUS atendam sem cobrar consulta. Dessa forma, iremos garantir que o século XX  e a era digital não possuam mais efeitos contrários, formalizando assim uma melhor qualidade de vida a todos os cidadãos.