Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 18/10/2019

A Magna Carta, de 1988, assegura que a saúde é direito de todos. Entretanto, o número de cidadãos que procuram os hospitais está cada vez menor, seja pelo avanço do mundo cibernético, seja pela facilidade de acesso a fármacos. Essa realidade levou a um grave problema: a cibercondria. Assim, faz-se necessário o debate acerca dessa doença da era digital.

Primeiramente, é indiscutível que os avanços tecnológicos estão entre as causas do problema, visto que, com a expansão do acesso à internet no século XXI, os indivíduos têm uma grande quantidade de informações, o que os deixam mais autônomos. Diante disso, a população se autodiagnostica em casa, através de pesquisas no Google e atendimentos online. Essa atitude irresponsável pode gerar uma série de consequências, como concluir que tem, ou ignorar, uma doença grave, bem como se automedicar.

Igualmente, salienta-se a não necessidade de receitas médicas para a compra de certos fármacos como mais um fator da problemática. Segundo a pesquisa realizada pelo ICTQ, 79% dos brasileiros pratica a automedicação. Com isso, percebe-se a naturalidade com que as pessoas vão às farmácias e compram remédios recomendados por algum conhecido ou pela internet, sem consultar um profissional. Diante disso, é notório que a realidade brasileira é diferente do que está na Carta Constitucional.

Não há dúvidas, portanto, de que é preciso tomar iniciativas para mudar a questão. Por isso, a Organização Mundial da Saúde deve incentivar a população a procurar um centro de saúde, por meio de divulgações midiáticas, além de palestras na escola sobre a importância dessa conduta. Outrossim, é necessário que o Ministério da Saúde instrua o Congresso Federal a criar uma lei que permita a venda de medicamentos apenas com prescrição médica. Nessa lógica, o intuito de tais medidas é combater à doença da era digital e garantir o direito à saúde previsto na Constituição.