Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 07/10/2019
“Rede de Saúde: presencial sim, virtual não”
No famoso filme infantil “Madagascar”, a carismática personagem Melman é muito conhecida pelo público por sua hipocondria - condição que leva o indivíduo a acreditar que está sempre exposto a um problema de saúde grave. Entretanto, fora da animação, este é um sério impasse para a sociedade contemporânea. Com o passar dos anos, o uso irrestrito de medicamentos aumenta cada vez mais, devido a fatores como a rápida propagação da informação ou então a falta da mesma, e com isso, nos tornamos vulneráveis a efeitos colaterais irreversíveis e ao agravamento de doenças.
A princípio, é de suma importância entender a relevância da consulta médica. Ao sentir alterações de saúde, o sujeito que vai diretamente ao hospital recebe um tratamento especializado, com exames efetivos e medicação receitada. Em contrapartida, aquele que tem como primeira medida a pesquisa online, é atingido por milhares de informações - afinal, existem diversas doenças conhecidas pelo homem -, o que acaba por induzir o internauta a interpretações errôneas. Com isso, o resultado é o perigoso autodiagnóstico, que acaba por ser usual entre a sociedade brasileira e resulta no abandono gradual de consultas no mundo real.
Segundo uma pesquisa feita pelo instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico (ICTQ), a automedicação é realizada por cerca de 79% da população com mais de 16 anos. Tal dado mostra que, um número exacerbado de pessoas têm colocado suas vidas em risco devido ao diagnóstico precoce e sem ajuda profissional. Atitudes como estas, podem levar o indivíduo a postergar o tratamento de uma doença grave, ou então a tomar remédios que fomentem que aquilo que está causando a problemática. Desse modo, um problema que antes poderia ser resolvido de maneira simples, passa a ser um caso de emergência.
Portanto, diante do exposto, é perceptível a necessidade de ações governamentais para a mudança do atual quadro social. Primordialmente, o Ministério da Saúde juntamente com a Indústria Farmacêutica, devem regular e tornar mais rigorosa a compra de medicamentos, por meio da exigência de prescrições médicas ou relato dos sintomas, a fim de assegurar para aqueles que vendem a medicação, de que não se trata apenas de um caso de autoanálise via internet. Ademais, a World Wide Web também pode auxiliar de maneira positiva, ao esclarecer em suas páginas de pesquisa, que a informação por meio de sites ainda não é o bastante, e que as visitas médicas são sempre o mais indicado. Sendo assim, as chances de se alcançar uma sociedade mais saudável aumentam, trazendo como consequência a qualidade de vida e longevidade que são tão almejadas.