Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 18/10/2019
Segundo o empresário Steve Jobs, a tecnologia move o mundo. Contudo, ao analisar a cibercondria na contemporaneidade, percebe-se que os avanços tecnológicos não trouxeram apenas avanços à sociedade. A problemática em questão é acentuada devido a má qualidade do serviço público de saúde e, também, pelo consumismo pregado pela indústria farmacêutica. Assim, faz-se necessário um maior debate para conhecer as principais causas desse comportamento.
Em primeiro plano, urge analisar a má qualidade do serviço público de saúde como impulsionador do entrave. Diante disso, pelo fato de, geralmente, a maioria das pessoas não terem um acesso digno a um serviço de saúde, normalmente, as pessoas preferem se consultar na internet, em sites ou aplicativos, pois é algo mais fácil, visto que não é necessário enfrentar filas para se consultar ou esperar por resultados que comumente demoram. Em contrapartida, esse comportamento pode ter consequências sérias para o indivíduo, pois o uso de remédios sem prescrição médica pode ocasionar complicações a saúde da pessoa, como, por exemplo, o surgimento de alergias.
Além disso, convém analisar a cibercondria sob o viés da teoria do fato social, de Émile Durkheim. Conforme mostra o criador da sociologia, “o homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela”; ou seja, os desejos de consumo não visam saciar apenas uma necessidade do indivíduo, mas sim atender a uma demanda criada pro agentes externos, como a mídia. Um exemplo disso pode ser visto em propagandas de indústrias farmacêuticas, que além de induzir indivíduos ao consumo de grande quantidade de medicamento pela busca idealizada da própria imagem, facilita o contato a demasiados medicamentos. Além do mais, a mídia ajuda as pessoas a terem obsessão pelo próprio estado de saúde o que facilita as pessoas a usarem fármacos exageradamente sem prescrição médica, como analgésicos que acabam prejudicando o ser humano.
Por isso, algumas medidas são necessárias para reverter tal conjuntura. Logo, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, realizar parcerias orçamentárias com o serviço privado, para destinar recursos financeiros para ajudar na estrutura de hospitais,visando a contratação de novos médicos e o melhoramento do atendimento do SUS à população. Isso possibilita que a sociedade tenha confiança no sistema de saúde pública, erradicando, portanto, essa prática. Também, cabe à mídia - grande difusora de informação -, veicular por meio de propagandas ou programas de tv, conteúdos relacionados a cibercondria, a fim de que a população possa conhecer essa doença.