Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 07/10/2019

A liberdade das informações nas esferas cibernéticas aborda uma virtude proveniente de um caráter insuflado de racionalidade à vida ao ponderar uma série de colisões com o futuro. Conquanto que, apesar da sua essencialidade, a banalidade do uso da Internet em âmbitos profissionais precede a marginalização dos direitos, ocasionalmente retratada no documentário ‘‘Doenças do século 21’’.

Precipuamente, Du Bois, um ativista política implica as falhas na perspectiva de um progresso humano ao abordar as consequências de um excesso de informações fomentadas, desde então, pela Terceira Revolução Industrial. Em virtude desta realidade, salienta-se o uso da ferramenta virtual ‘‘Google’’, na qual, indivíduos procuram fóruns de relatos de experiências sobre determinadas patologias e, portanto, se auto-diagnosticam e buscam remédios sem o devido acompanhamento de um profissional da área da saúde. Analogamente, este paradigma nocivo ao exercício do bem-estar social reflete na sociedade contemporânea em diversos mecanismos sociais como, por exemplo, a cibercondria que, segundo o Ministério da Saúde, é um estado psíquico em que a pessoa preocupa-se com o próprio estado de saúde, apresentando um medo de sofrer alguma enfermidade grave, mesmo diante das garantias médicas, alvejando 45% da população.

Além disso, acerca do panorama supracitado, é pertinente trazer o discurso do filósofo Jurgen Habermans, no qual ele conceitua a ação comunicativa: esta consiste na capacidade de uma pessoa defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, demandando ampla informatividade prévia. Assim, sabendo que a cidadania consiste na luta pelo bem-estar social e analisando os meios tecnológicos de informação, como as redes sociais, é possível entender que a internet amplia o sentimento coletivo, no entanto, amplia a negligência da preservação da segurança e da saúde, pontos essenciais de acordo com a Constituição Federal de 1988.

Portanto, é mister que o direito à dignidade humana e o conhecimento acerca do exercício da cidadania seja, de fato, assegurada como prevê a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para a conscientização da população brasileira, urge que o Ministério da Saúde crie, por meios de verbas governamentais, campanhas publicitárias que detalhem a importância de um prognóstico profissional e que estimulem um posicionamento crítico sobre as ocorrências da automedicação incidentes em uma sociedade contemporânea , que busca lidar com os anseios dos avanços constantes da tecnologia. Assim, dessa maneira, urge que o Poder Executivo, através de palestras com o setor educacional, busque intensificar um maior diálogo entre as pretensões da população e projetos sociais que, a partir do debate, amplie o desenvolvimento de um país forte em bases democráticas.