Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 21/10/2019
Desde a criação da Arpanet, o embrião da internet, pelos EUA em meio a Guerra Fria na década de 60, o mundo tem observado incontestáveis avanços na comunicação. Contudo, o maior acesso, alcance e rapidez na disseminação de informações trouxeram desafios sobre o uso adequado desse conhecimento. Nesse sentido, a facilidade no acesso a conteúdos sobre doenças, exames e remédios nas mídias digitais construiu uma nova forma de hipocondria, a cibercondria. Assim, os indivíduos antes de procurarem um profissional da saúde, procuram as ferramentas de busca na internet passando a se autodiagnosticar e automedicar. Além disso, verifica-se que não só o facilitado acesso a informações médicas promove cibercondria, como também a carência de assistência à saúde suficiente e de menor custo para a população brasileira.
Em primeira análise, vale ressaltar que diagnóstico e receita medicamentosa são prerrogativas médicas não sendo adequado um leigo internauta se arvorar a tal. Entretanto, pesquisa do Instituto de Pós-Graduação para Profissionais Farmacêuticos afirma que em cada 10 brasileiros, 8 tomam remédio por conta própria. Esses cidadãos podem ter interpretado seus sintomas e até seus exames de forma equivocada pois não dominam a prática médica e os termos técnicos necessários. Outrossim, podem mascarar sérios prolemas de saúde através de receitas caseiras indicadas na internet. Dessa forma, o uso de informações sobre saúde torna-se prejudicial.
Em segunda análise, observa-se o contexto sócio-econômico da população brasileira no qual não há efetiva assistência médica para todos. As consultas médicas demoram muito para serem realizadas e o horário das unidades de atenção primária não favorecem o trabalhador formal. Ademais, o alto custo dos serviços de saúde no setor privado dificulta cada vez mais sua utilização pelos cidadãos. Diante disso, torna se claro o ímpeto de consultar a ferramenta de busca na internet para resolver problemas de saúde.
Indubitavelmente, o uso inadequado de informações sobre a saúde pode causar diversos problemas e para evitar esses malefícios, os Ministérios da Saúde, da Ciência e Tecnologia e da Educação devem formar parceria no esclarecimento da população quanto aos riscos da utilização de conteúdos sobre saúde por leigos através da abordagem do tema nas escolas e nas mídias de comunicação em massa, inclusive na internet. Simultaneamente, fazer investimento ostensivo na implementação da atenção primária aumentando o número de unidades e estendendo seu horário de funcionamento de forma que a capacidade instalada atenda à demanda ampliando o acesso aos profissionais da saúde.