Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 17/10/2019
Não é novidade o fato de que a evolução tecnológica, apesar de seus benefícios, as vezes pode ser danosa ao ser humano. Nesse sentido, a atual disponibilidade abundante e de fácil acesso em relação à informação sobre doenças figura como um dos impulsionadores da cibercondria, a recorrente “neura” de doenças possivelmente inexistentes. Desse modo, convém analisar melhor as causas, consequências e possíveis soluções para essa problemática.
Em primeiro lugar, as pessoas buscam acolhimento nas redes devido a rapidez do “diagnóstico”, descrença no sistema público de saúde e apoio na “cultura do remédio”. De acordo com dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), 87% dos usuários do SUS o classificam como péssimo ou ruim, esse panorama abre a busca por alternativas as quais tendem a culminar em pesquisa nas redes e automedicação. Comportamento esse que é impulsionado pela crença popular que só o remédio basta, tanto que em 2010 um órgão da ONU anunciou que a dependência por remédio já era maior que a por drogas ilícitas.
Para além, esse cenário de busca e ansiedade somados ao uso indiscriminado de medicamentos produz um mal estar psicológico desnecessário junto a substituição de consultas por busca em material duvidoso o que produz um verdadeiro caos na saúde da sociedade. No ano de 2012, a Universidade Técnica de Munique constatou a existência do Nocebo, a piora do quadro de saúde advinda da ansiedade e negatividade do paciente, efeito o qual é impulsionado pela cibercondria. Consonante a isso, temos uma piora no quadro psicológico dos pacientes, que agora se encontram diante de possibilidades infinitas para os seus sintomas, produzindo o cenário de pessoas que além de tomar remédio por conta própria, o ingerem para a doença errada.
Portanto, a cibercondria mostra-se como um grande desestabilizador da saúde e bem estar da sociedade. De tal maneira, faz-se mister que o Ministério da Saúde construa uma ação conjunta em parceria com influenciadores digitais, no intuito de criar um extenso guia com informação de qualidade sobre as principais doenças do Brasil, por meio da gravação de videos e produção de textos disponibilizados nas redes dessas figuras públicas. Tal medida visa instruir melhor quem busca alento na internet para suas “dores”, de modo que o desconhecimento seja evitado, abrindo, também, o diálogo entre essas pessoas e seus espectadores para a instrução de que nada substitui uma consulta médica.