Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 07/10/2019

Na conjuntura contemporânea, a tecnologia evoluiu de forma demasiada e fez com que a informação se tornasse cada vez mais acessível para a sociedade, apresentando várias vantagens e desvantagens. Um grande exemplo desvantajoso é a Cibercondria, caracterizada como uma doença relacionada ao espaço cibernético, na qual indivíduos obcecados com seu estado de saúde, buscam na internet o seu diagnóstico e, muitas vezes, acreditam que possuem todas as doenças que pesquisaram. É notório que essa situação é extremamente prejudicial à saúde e bem-estar da população, corroborando um grave problema que deve ser solucionado.

Em primeiro plano, verifica-se que os “cibercondríacos” buscam informações frequentemente sobre sintomas e doenças na internet e, ao chegarem a conclusões equívocas, realizam o autodiagnosticamento. Também vale ressaltar que o crescente índice de notícias e informações falsas, acarretam na disseminação de conhecimentos errôneos que prejudicam àqueles que se autodiagnosticam. Sob esse viés, dados divulgados por uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e Comunicação, afirmam que 33% dos usuários da internet no Brasil usam sites de busca para procurar informações relacionadas à saúde, salientando o alto número de indivíduos que se autodiagnosticam pela rede, a partir de informações que podem ser equivocadas.

Concomitante a isso, pode-se relembrar da série americana da Netflix, “Doenças do Século XXI”, que retrata a vida de diversas pessoas que sofrem com doenças crônicas e buscam tratamento, dentre elas, mostra uma jovem que é obcecada em se autodiagnosticar e automedicar, fato que se intensificou com a ascensão da internet, a famigerada Cibercondria. Todavia, fora da ficção, o cenário retratado na série não se encontra tão distante da realidade, na qual observa-se o crescente número de pessoas que se autodiagnosticam e buscam por tratamentos de suas possíveis doenças de forma precipitada, utilizando medicamentos sem prescrição médica, o que pode ser extremamente nocivo à saúde desses indivíduos, pois remédios utilizados de forma inadequada podem agravar alguma doença ou até mesmo ocasionar efeitos colaterais insatisfatórios.

Portanto, nota-se que a Cibercondria traz malefícios e prejuízos à saúde e bem-estar da sociedade. Desse modo, o Ministério da Saúde junto do setor midiático devem realizar propagandas, campanhas e palestras, em escolas e redes sociais, sobre os perigos e consequências da automedicação pela internet, a fim da melhor disseminação de informação dos problemas que podem ser ocasionados à partir do autodiagnostico. O Poder Legislativo também deve criar uma lei na qual toda compra de um medicamento deve ser realizada com prescrição médica, para que essa prática diminua cada vez mais.