Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 17/10/2019

O conceito da “Sociedade em Rede” desenvolvida pelo sociólogo espanhol Manuel Castelles, apresenta uma teoria,na qual, ouve uma reconfiguração social da sociedade, em que essa nova organização interconectada altera à dinâmica do comportamento do indivíduo perante aos dados da internet. Entretanto, o surgimento da cibercondria está vinculada nesse fundamento, uma vez que no estado de enfermidade  as pessoas se alicerçam em pesquisas virtuais para se autodiagnosticar. Nessa perspectiva, dois aspectos fazem-se relevantes: o imediatismo para a solução do problema, bem como o uso de medicamentos para possíveis doenças que ainda não foram diagnosticadas. Por esses motivos, é necessário uma mudança na forma de se relacionar com o meio digital.

Em primeiro plano, é relevante ressaltar que com essa facilidade de acesso e variedades de informações disponíveis, muitos indivíduos tendem a se consultar pela internet e acreditar nas possíveis doenças que lhes são apresentadas, porém muitos se esquecem que existem diversos sintomas para as  mesmas enfermidades. Sob essa ótica, o conceito de “Banalidade do Mal” de Hannah Arendt, assimila-se nessas atitudes, pois quando esse ato do cotidiano ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la com errada. Um exemplo disso, é a  impaciência de recorrer aos médicos para examiná-los, na certeza das pequisas serem realmente verdadeiras, fato esse que caracteriza uma pessoa hipocondríaca.

Paralelo a esse contexto, a busca por respostas para possíveis doenças no meio digital, contribui para a automedicação em função disso, muitas pessoas se submetem a tratamentos errados e quando procuram um médico tendem a duvidar do profissional se o resultado for diferentes daqueles apresentado na internet. Dentre esses fatores, dados divulgados pelo Conselho Federal de Farmácia , a automedicação é feita por cerca de 77% dos brasileiros. Partindo dessa evidencia, é preciso que haja uma intervenção dessa prática para garantir uma saúde segura para toda a população.

Portanto, com o objetivo de garantir o fim dessas atitudes negativas, cabe ao Ministério da Saúde, mediante a implementação de fiscais virtuais nos sites de pesquisas, realizar adaptações necessárias para que as informações contidas nesses conteúdos sejam autenticas, incluindo postagens de campanhas nesses meios que advertem a necessidade da procura de um especialista para o diagnóstico de tais doenças. Outrossim, a mídia deve debater a acerca dessa situação, para relatar que nem todos os dados divulgados condizem com o estado de saúde e que automedicação pode causar intoxicação, esse direcionamento de fatos devem ser publicados em todos os meios de comunicação, como Instagram, Facebook e Twitter, para que assim atinja a maior quantidades de pessoas.